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Para que servem os testes?

O que é importante na avaliação de uma moto?

05/11/2013 | Texto: Tite Simões | Foto: DivulgaçãoVoltar
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Se você está lendo essa coluna então gosta de acessar o Webmotors para se informar de todas as novidades do mercado de carros e motos. Pode até não ser daqueles super especialistas que sabem de cor todos os dados das fichas técnicas. Mas quem lê um teste ou avaliação sabe exatamente interpretar o que o jornalista ou especialista quis dizer?
 
Para começar a análise de um veículo nunca é totalmente "asséptica" do ponto de vista da experiência pessoal. Por exemplo, a análise de estilo leva em conta muito do gosto pessoal de quem avalia e de quem lê. Existem alguns critérios de objetividade, como por exemplo o uso de linhas retas e curvas ou as duas.
 
Essa mudança se dá por critérios de moda, ou "tendência" como gostam de chamar os projetistas. Na verdade, a moda existe parte por espontaneidade do público e parte por imposição das grandes empresas. Essa necessidade de mudanças em períodos cada vez menores é uma forma de estimular o consumo: quem quer estar na moda precisa comprar o que existe de mais atual e assim a indústria fatura e agradece.
 
Houve a época das linhas retas, depois veio as curvas e até a mistura das duas. Cabe ao jornalista só identificar em qual perfil o veículo se encaixa. Aqui no Brasil é muito raro o jornalista dar sua opinião pessoal e afirmar que uma moto é feia ou bonita. Eu já escrevi uma vez que a Suzuki Hayabusa parecia um ciclope com aquele farol único no meio da testa. E piorava quando instalavam a rabeta traseira deixado-a parecida com um Quasímodo! Claro que nunca escrevi isso, porque no Brasil os leitores - especialmente os donos - se revoltam com opiniões pessoais, mas quando abri o teste dessa moto feito pela revista americana Cycle World na época do lançamento, o jornalista começava o texto com a seguinte descrição: "esta é, sem dúvida, uma das motos mais feias produzidas pela Suzuki".
 
Sem a experiência pessoal, cabe ao jornalista apenas descrever o veículo do ponto de vista técnico de tendências da moda. Um bom exemplo é dos painéis e instrumentos. No começo os instrumentos eram todos circulares, analógicos com ponteiros. Depois veio a moda dos instrumentos digitais, muito modernos, mas de péssima leitura, porque os cristais líquidos dos mostradores se tornam pouco legíveis à luz do sol. Além disso, o ponteiro tem a vantagem de tornar a leitura imediata e intuitiva, mesmo que imprecisa. O motociclista só precisa saber que o motor está ali perto dos 8.000 RPM e não ler o número 7.985 RPM com a moto a 160 km/h trepidando toda! Pior ainda são mostradores de rotações por barras que crescem e se mexem e obrigam o motociclista a olhar por muito tempo para entender o que se passa.
 
Hoje as fábricas perceberam isso e adotaram uma mistura de analógico, digital e - a nova moda - leds coloridos indicadores. Essa mistura é a mais sensata e que tem funcionado melhor. Os leds (também chamados de shift-light) acendem conforme o usuário programa a faixa de rotação que quer trocar de marcha. Pode ser no modo econômico, esportivo, normal etc. É visualmente muito fácil de ver, inclusive de dia e ajuda a proteger o motor.
 
Números e mais números
Os testes também revelam alguns dados de desempenho, feitos a partir de medições que o próprio fabricante fornece ou pela equipe de jornalistas. No meu tempo, lá nos idos de 1980, o equipamento de teste era uma trapizonga enorme, pesada e que consumia um tempo enorme para oferecer dados como velocidade real, aceleração, retomada de velocidade, frenagem etc. Hoje basta um smartphone com um programa e o piloto de teste faz tudo sozinho e perto de casa!
 
E para que servem esses números? A maioria das pessoas (e as fábricas adoram isso) interpretam que um veículo é "melhor" que o outro com base nesses números, mas tem nada a ver. Uma moto não é melhor do que a outro porque alcança 10 km/h a mais de velocidade máxima. Ou porque foi meio segundo mais rápida na aceleração de 0 a 100 km/h. Isso são dados que, se corretamente analisados, mostram como a fábrica pretendeu enquadrar a moto nos milhares de parâmetros de uso.
 
De fato, no caso de motos pequenas, 10 km/h a mais de velocidade máxima pode representar até 10% a mais na velocidade de cruzeiro, aquela que o motociclista usa no dia a dia. Mesmo que isso reflita em um consumo de gasolina maior. Por isso o leitor precisa saber o que ele considera mais importante na hora de julgar um veículo: chegar mais rápido no destino ou chegar com mais grana no fim do mês?
 
Já a aceleração de 0 a 100 km/h ou de 0-100 metros indica a capacidade de "explosão" um veículo. Calma, ninguém vai explodir nada, mas apenas avaliar como a moto consegue sair da imobilidade total até uma velocidade ou distância. Entre motos da mesma categoria essa diferença é muito pequena, na segunda casa decimal e tem muita influência de quem está pilotando. Basta o piloto demorar uma fração de segundo para soltar totalmente a embreagem para que esse dado se comprometa. A utilidade dessa medição - combinada com a velocidade máxima - é avaliar dados como: a relação final de transmissão privilegia a força ou a velocidade máxima? A massa (peso) da moto fez diferença no rendimento?
 
Para um leitor esses números podem servir apenas como assunto para "zoar" os amigos. Mas um técnico sabe interpretar o que está escrito e cruzar com os dados da ficha técnica para saber um pouco mais do "caráter" do veículo. Se é uma moto mais "dócil" e fácil de pilotar, ou é "agressiva" que exige mais habilidade?
 
Na próxima semana vou continuar a decifrar os números dos testes e também da ficha técnica. Se você tem alguma dúvida (que raios vem a ser o torque máximo, por exemplo) envie pelos comentários aqui em baixo!  
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