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De PCX 2016 na selva de pedra

Confira o que mudou no scooter mais vendido do Brasil em seu primeiro facelift

Texto: Karina Simões | Foto: WebMotors 03/02/2016
 
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Mais um dia comum em São Paulo (SP). Saio da minha casa na Zona Sul da cidade às 8h rumo ao WebMotors. O trajeto não é longo, apenas 6 quilômetros de distancia. Todavia, tenho que disputar o fluxo das veias arteriais da cidade com uma frota de mais de 8 milhões de veículos. Sim, elas são sempre entupidas, e neste dia não foi diferente.

Felizmente, meu companheiro esta semana tem sido o Honda PCX 150. O scooter que a marca japonesa lançou no Brasil em 2013 e que tornou-se um sucesso de vendas rapidamente, acaba de passar por seu primeiro facelift. A Honda fez melhorias pontuais no modelo, que ficou cerca de R$ 1 mil mais caro. Mas será que vale a pena?

 

Dá o play:

 

 

Mesmo ele não sendo o mais “barato”, é o mais vendido da categoria disparado. Em 2015 foram 22.896 unidades emplacadas no País de acordo com dados da Fenabrave, enquanto o segundo colocado, o Lead 110, também da Honda, emplacou 7.024.

Atenção aos detalhes

O preço vai dos R$ 10.814 para as cores cinza e preto até R$ 11.234 para a DLX, com pintura branca fosca e rodas douradas. Para manter-se na liderança, a Honda manteve o que era bom e fez mudanças pontuais. A começar pelo motor, que manteve a arquitetura monocilíndrica OHC com duas válvulas e arrefecimento líquido, mas teve a capacidade cúbica reduzida de 152,9 cm³ para 149,3 cm³. Por conta disso, os números de desempenho tiveram uma sutil redução - agora são 13,1 cv a 8 mil giros e torque de 1,36 kgf.m a 5.000 rpm, ante os 13,6 cv e 1,41 kgf.m do antecessor -, tão sutil, que na prática o desempenho permanece o mesmo.

Rodei com o PCX apenas na cidade, leia: nas sonolentas marginais cuja velocidade máxima não passa dos 50 km/h na local e 70 km/h na expressa. Por conta disso, não abusei do acelerador e consegui obter um consumo de 40 km/l, um número impressionante - o consumo médio é mostrado no painel. Segundo alguns especialistas, ao atingir 110 km/h há um certo corte no motor, mas como minha pauta foi especificamente urbana, não consegui uma via por aqui que me permitisse chegar a tal velocidade.

A autonomia está maior no modelo 2016, o que nos permite rodar mais. Agora são 8 litros de capacidade no tanque contra os 5,9 da versão anterior. Para contribuir com o consumo, a Honda manteve o sistema “Idling Stop”, que desliga automaticamente o motor em paradas por mais de três segundos e religa assim que giramos a manopla do acelerador. A novidade é que a Honda incluiu um sensor que monitora a carga de bateria, isso por causa da inclusão de uma tomada 12 volts para carregar o celular ou o GPS. Ou seja, se outra fonte estiver puxando muita carga da bateria, o sistema “Idling Stop” é desabilitado automaticamente. Todavia, se você se cansar do liga e desliga há um botão na manopla direita para desligá-lo.

Um ponto que sempre foi um incômodo parta quem já teve um PCX ou já andou muito na garupa de um é a suspensão traseira. A Honda passou a utilizar novos amortecedores traseiros, agora redimensionados, com curso de 85 mm. Na prática, a melhoria não foi tão perceptível, mas ao menos as batidas de fim de curso foram minimizadas se comparamos com a versão anterior. Para você ter uma ideia, tem gente por aí adaptando amortecedor de Yamaha Factor 125 em PCX para melhorar o pula pula. Lógico, se o ‘frankstein’ der errado, o proprietário que arque com as consequencias e tenha a ciência de que sua garantia de 3 anos foi para o espaço. A dianteira utiliza garfo telescópico de 100 mm de curso, que tambeu recebeu reforços.

Os freios são combinados (CBS - Combined Brake System) que transfere parte da força aplicada ao freio traseiro para o dianteiro. Lembrando que pela construção do scooter, o peso fica mais concentrado na parte traseira e este feio conta muito. As rodas continuam sendo aro 14, mesmo que não sejam tão pequenas como as aro 12 da Lead 110, ainda são menores que as de aro 16 da Dafra Citycom. Ou seja, tenha atenção redobrada aos buracos!

Tapa no visual

As linhas do PCX estão mais ângulosas, mas de maneira geral a carinha dele continua a mesma. São muitos os detalhes que receberam melhorias. Agora, o sistema de iluminação passa a ser em LEDs, o farol conta com uma luz branca muito mais eficiente e a bolha é nova. No visual, os piscas foram evidenciados, o que contribui para a segurança e a Honda também incluiu pisca-alerta, que não exixtia na versão anterior.

O banco está mais confortável, graças a alterações no desenho e na espuma, sem contar que aquele apoio na lombar foi retirado. Aleluia! O espaço sob o banco para guardar objetos está um pouco maior e agora há uma trava no assento para que ele não caia em cima de você quando for ajeitar suas compras no espaço. Há outro porta objetos próximo ao guidão – onde fica a tomada 12V - , mas se isso não for suficiente, a esta versão já oferece a furação para acoplar o baú na traseira. Boa!

O painel é bonitão e também é novo, claro. Ele lembra muito o cluster de carros da Honda, como o Civic. O ponteiro que mede do velocímetro analógico agora é flutuante e há uma telinha central digital com hodômetro total, nível e indicador de consumo médio de combustível e relógio.

Predador à vista

O PCX é muito legal, mas o preço é salgado. Aindao assim, muitas concessionárias vendem a moto com o ágio nas alturas, o que faz com que o preço público sugerido pela Honda (este que divulgamos aqui) seja praticamente impossível de encontrar. O PCX nada de braçada no mercado, pois mesmo com o preço ardido, é acessível ao perfil de compradores que estão fazendo o market share de scooter crescer pelo país. Geralmente ele é o segundo veículo da pessoa, que prefere deixar o carro em casa durante a semana e utilizar o scooter como solução de mobilidade para ir e vir do trabalho. Basta reparar nos trajes dos “pilotos de scooters”: capacete, jaqueta e luvas, mas a calça é social e os sapatos estão brilhando! As mulheres também não ficam de fora, cada vez mais elas estão aderindo à motinho, sobretudo pela facilidade de pilotagem e rapidez na locomoção que o scooter oferece. Por enquanto não há um concorrente à altura para tirar o sono da Honda. Eu disse, por enquanto. A Dafra lançou em 2014 o Cityclass 200, que é uma opção, mas não foi suficiente para desbancar o PCX. O grande rival ainda está para chegar. A Yamaha trará ao Brasil ainda neste semestre o Nmax 160 e se ele chegar com preço competitivo, o reinado do PCX pode estar com os dias contados. Será?

Karina Simões

Karina Simões
Sempre preferiu carrinhos a bonecas. Seu primeiro brinquedo motorizado foi um Jeep Willys 1951, que dirige até hoje. É realizada escrevendo sobre veículos, seja ele qual for. Acorda cedo para assistir ao MotoGP.  

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