Apresentado pela Dodge durante o
Salão do Automóvel de São Paulo em outubro passado, e já disponível nas concessionárias da marca desde janeiro, o Durango é um modelo que podia constar no dicionário para descrever um utilitário. Ele tem sete lugares e oferece espaço e conforto para todos seus ocupantes. Chega em duas versões de acabamento: Crew, por R$ 179,9 mil e Citadel, por R$ 199,9 mil.
A versão de entrada, Crew, tem em sua lista itens como ar-condicionado de três quadrantes, bancos de couro, bancos dianteiros elétricos, bancos aquecidos na primeira e segunda fileiras, câmera de estacionamento traseira, sistema multimídia com LCD de 6,5”, leitor de DVD e HD interno de 30 GB, rodas de alumínio de 18”, nove alto-falantes, subwoofer e amplificador de 500 Watts, Bluetooth, tampa traseira com acionamento elétrico, tração integral permanente, entre outros.
Já a Citadel, topo de linha, traz todos os itens da lista acima e mais bancos dianteiros ventilados, faróis de xenônio com nivelamento automático, rodas de alumínio cromadas de 20”, teto solar elétrico, tela traseira de DVD de 10” com dois fones de ouvido sem fio e controle remoto e volante com aquecimento e revestido em couro perfurado.
Apartamento sobre rodas
Antes de falarmos sobre um modelo, uma aulinha rápida de história. O Durango foi lançado em 1998 e era derivado da picape Dakota. Desde 2010 ele passou a utilizar a plataforma do Jeep Grand Cherokee.
Apesar da “cara” de jipe, o Durango é um utilitário preparado para a cidade. A própria marca durante a apresentação do modelo, ressaltou que “(o modelo) é estradeiro, mas não off-road. A marca da Jeep (outra fabricante sob o guarda-chuva da Chrysler) é o 4x4”.
As generosas medidas do Durango – 5,07 m de comprimento, 2,17 m de largura, 1,80 m de altura e 3,04 m de entre-eixos – o qualificam para as grandes famílias. O modelo é um sete lugares de verdade, com três fileiras de assentos. Obviamente, quem senta nos dois últimos assentos não compartilha do conforto de quem vai a frente, mas ele não é um 5+2 adaptado como alguns concorrentes, que colocam dois banquinhos minúsculos como terceira fileira e roubam todo o espaço do porta-malas.
Um ponto de atenção é o acesso é para os bancos da terceira fileira. Como geralmente acontece em veículos com esta configuração, o acesso a eles exige um certo trabalho. É necessário rebater totalmente o assento da segunda fileira, dobrá-lo e tomar cuidado para não bater a cabeça no batente da porta.
Como o assunto é espaço, o bagageiro do Durango, cujo acionamento é elétrico, pode chegar aos 2.390 litros (dependendo da configuração dos bancos). São 28 possíveis, segundo a marca. Dá para colocar um sofá de 1,80 metro ou uma escada de 3 metros com o encosto do passageiro dianteiro dobrado! Mas utilizando o modelo com a configuração normal, a capacidade é satisfatória. Algo parecido com o oferecido por um hatch, como o Palio. A boa utilização do espaço interno é completa com os mais de 30 porta-objetos espalhados na cabine.
V6 dá conta?
Para ser bem direto, sim. O motor Pentastar V6 de 3,6L, 286 cv - um coringa da marca, pois é utilizado em vários modelos de sua gama – também se encaixou bem no utilitário. Mas veja bem, é importante ressaltar que estamos falando de um veículo com mais de duas toneladas (2.262 kg para a versão Crew e 2.312 kg para a Citadel). Trabalhando em conjunto com uma caixa de transmissão automática de cinco velocidades, com overdrive, o bloco é bastante exigido em saídas e retomadas.
O
WebMotors rodou por cerca de 60 quilômetros na versão Crew do Durango em trechos de estrada e cidade no interior de São Paulo. Na parte urbana do teste, o utilitário demonstrou bastante agilidade em curvas e boa estabilidade na suspensão para suportar o piso irregular. Pode-se dizer que é um tipo de condução diferente para um veículo deste porte. Mas isso tem uma explicação: suspensão independente nas quatro rodas, distribuição de peso 50/50 e tração integral permanente. O modelo ainda conta com alguns recursos que auxiliam o motorista a conduzir esse “carrão”. Entre eles estão os sensores e câmera de estacionamento e direção hidráulica.
Em alguns trechos de subida, no entanto, o câmbio começou a “brigar” sozinho e ficou difícil de encontrar a marcha certa. A opção pelas trocas manuais nesse caso facilitou o trabalho do Pentastar. Talvez uma caixa de seis marchas aliviaria ainda mais para o V6.
Já na estrada, o Durango roda suavemente. Trafegando em torno dos 100 km/h, as rotações do motor ficavam na casa dos 2.200 giros. O computador de bordo registrava consumo de 9,2 km/l (na cidade ficou em 6,2 km/l). Nada muito fora dos valores declarados pela marca: 9,8 km/l para a estrada e 6,8 km/l para a cidade. Segundo a Dodge, o modelo tem autonomia de 875 quilômetros.
Mercado
A briga dentro da categoria da qual o Durango se encaixa traz nomes de peso. Ele terá pelo caminho nomes como Land Rover Discovery 4 HSE, Mitsubishi Pajero Full HPE e Audi Q7. Por se considerar uma marca premium, a Dodge lista modelos de outras marcas como concorrentes. Mas pode colocar no ringue Chevrolet Trailblazer, Toyota SW4 e Hyundai Vera Cruz.
A Dodge espera emplacar 700 unidades do Durango até o fim do ano.