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Focus Fastback quer ser o descolado da turma

Sedã médio da Ford usa até sobrenome 'falso' em facelift mirando em condutores mais jovens

Texto: Lukas Kenji | Foto: Fabio Aro/WebMotors 06/11/2015
 
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Quarentão, pode ser identificado pelo corte de cabelo social e pelo pulôver envolvo aos ombros. Não necessariamente tem filhos, mas certamente vai apertar a bochecha de crianças alheias. É comum ainda fazer piadas como aquela do pavê e se achar engraçado. Virou sinônimo de dono de Corolla e Civic.

Tais definições caberiam ao verbete “tiozão” em um dicionário informal (e pejorativo, evidentemente). E este, definitivamente, não é o perfil do comprador do Ford Focus Fastback. O modelo não tem nada de revolucionário. Pelo contrário, mantém as características básicas de um sedã médio, mas apropria-se das entrelinhas para transmitir uma estética mais jovial.

A tentativa de denotar atitude descolada em relação aos concorrentes vem logo na assinatura (meio que falsificada): fastback é um tipo de carroceria com uma queda bem marcada na parte traseira, postura essa que o Focus não carrega. Puro marketing. A própria Ford sabe disso por ter chancelado a fabricação de um genuíno fastback, o Mustang 1968.

O nome pode não ser apropriado, mas isso não quer dizer que a intenção aqui é menosprezar a construção estética do modelo. A grade hexagonal que virou o novo padrão de design da Ford teve eficácia semelhante à prometida por aqueles cremes que prometem deixar a mulherada dez anos mais jovem.

Em contraponto, a caixa de rodas pintada de preto da versão antecessora deu lugar a pisantes prateados pouco chamativos. Um contrasenso.

Mesmo assim, o desenho como um todo transmite modernidade, o que combina com o pacote tecnológico do veículo. Uma pena que sistema de estacionamento automático, faróis bixenon adaptativos, assistente de frenagem autônomo sejam entregues somente na versão topo de linha Titanium Plus, de R$ 98.900, que ofecere ainda retrovisores com rebatimento elétrico, teto solar, sensor de estacionamento dianteiro e banco do motorista com acionamento elétrico.

Mas isso não quer dizer que a versão testada Titanium, tabelada em R$ 89.900, é pobre de equipamentos tecnológicos. Fala por si só a central multimídia gerenciável por comando de voz ou tela touch screen de oito polegadas. Ela disponibiliza GPS, rádio, CD Player, conectividade bluetooth e USB, câmera de ré, ar-condicionado (de duas zonas) e telefone.

O sistema é intuitivo por ter a tela dividida em quatro partes: entretenimento, climatização, navegador e comunicação. As funções ficam bem à mostra e a tela sensível ao toque é bem ajustada.

Também são destaques o sistema de som Sony Premium Surround com 9 saídas, a chave com sensor de presença e o assistente de emergência que dispara uma ligação para o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) em caso de acidentes em que um dos seis airbags seja disparado ou haja corte de ignição em consequência de impactos laterais.

Outros itens de série são direção elétrica, bancos revestidos em couro, paddle shifts (aletas para troca de marcha atrás do volante), vidros, travas e retrovisores elétricos, faróis de neblina, sensor de chuva e crepuscular e volante multifuncional com revestimento em couro.

MOTOR FAST, MAS NEM TANTO

Além da modernidade transmitida pelos equipamentos e da jovialidade por meio do design externo, a Ford também tenta passar a impressão de que o Focus Fastback é um sedã performático. A rigor, o modelo é o segundo mais potente da categoria, uma vez que o motor 2.0 16V bicombustível e injeção direta emana 175 e 178 cv a 6.500 rpm quando abastecido de gasolina e etanol, respectivamente.

Os números de torque também são bons: são transferidos 21,5/22,5 kgf.m a 4.500 rotações para o eixo dianteiro. No entanto, a entrega do trem de força está longe do sedã médio mais potente do País, o turbinado Volkswagen Jetta 2.0 de 211 cv e 28,6 kgf.m de torque bebendo somente gasolina.

A diferenteça mais notória, entretanto, mora na caixa de câmbio. Ambos utilizam modelo de dupla embreagem e seis velocidades, porém, a desenvoltura da transmissão DSG supera com facilidade o esforçado PowerShift.

O câmbio da Ford pelo menos passa uma sensação de esportividade quando na posição ‘S’, que eleva o giro do motor nos escalonamentos. O ideal seria que o comportamento da suspensão do tipo McPherson na frente e Multilink atrás também fosse enrigecido com o câmbio mais faminto.

Os dados da Ford indicam que o powertrain pode impulsionar o Focus até 208 km/h de velocidade máxima, sendo que os 100 km/h são atingidos em 9,5 segundos partindo da inércia e abastecido de etanol.

Já o consumo de combustível não merece elogios. O desempenho recebeu nota ‘B’ do Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro/Conpet. O propulsor faz 9,7 km/l e 6,7 km/l  em ciclo ubano, além de 13 km/l e  9,2 km/l na estrada e sempre na ordem gasolina e etanol.

MAIS MATERIALISTA E MENOS HUMANO

Outro quesito que o Focus fica atrás da concorrência é a distribuição de espaço. O modelo de 4,53 metros de comprimento dedica 2,64 m ao entre-eixos. O espaço para as pernas de quem viaja atrás é até bom, mas não dá para levar três ocupantes com conforto total. Isso porque o duto central é alto e bem incômodo.

Embora não seja muito afeito a levar pessoas, o Focus mostrou-se um amigo do peito para o transporte de carga. Apesar de pouco expressivos, os 421 litros do porta-malas foram determinantes para carregar com eficiência as diversas caixas de papelão pesadas da mudança de endereço do avaliador.

PÓS-VENDA

Finalmente, a Ford merece elogios por incrementar o custo-benefício do carro. Oferece seguro a custo fixo de R$ 3.198 em parceria com a Mapfre. Entretanto, cotação feita no Santander AutoCompara trouxe preço mais em conta: R$ 2.797,71 pela HDI Seguros em perfil de homem casado, com filhos, por volta de 40 anos de idade, garagem em casa e no trabalho, levando em consideração CEP da Zona Oeste de São Paulo.

Outra frente do pós-venda bonificou os primeiros 2.000 compradores do Focus Fastback com revisões gratuitas até 30 mil quilômetros rodados. A condição era muito boa justamente pelo intervalo de revisões da montadora ser bem incômodo. A primeira vistoria é feita já aos 6 meses ou 5.000 quilômetros e cobra R$ 272, mesmo valor da segunda revisão. A terceria análise tem preço de R$ 720 e deve ser feita com 2 anos de uso ou 20 mil quilômetros.

Lukas Kenji

Lukas Kenji
Quando deixa um pouco de lado a carreira brilhante como piloto de Gran Turismo e Fórmula 1 (no Playstation), faz cobertura diária do setor automobilístico. Muscles cars e clássicos dos anos 1990 são as máquinas prediletas.   

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