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04-10-07 | Texto: Antonio Carlos Bento | Foto: DivulgaçãoVoltar

Variáveis que afetam a vida útil da embreagem

Trânsito pesado, forma como o motorista dirige e topografia da cidade influenciam no desgaste deste sistema

(04-10-07) - O trânsito lento da cidade de São Paulo faz com que o motorista, em horário de pico, não ultrapasse os 40 km/h, tendo de trocar a marcha de primeira para segunda o tempo todo. Esse processo de acelerar e brecar é enfadonho para o motorista, que nem imagina como isso pode afetar a vida útil da embreagem do seu veículo, pois é o fato de ficar parado no trânsito, engatando primeira e segunda marcha diariamente, que contribui para o desgaste prematuro desse sistema.

Em geral, o disco de embreagem tem vida longa, podendo chegar aos 100 mil km, mas, em cidades de trânsito pesado ou de topografia acidentada, como Belo Horizonte, pode contribuir para o desgaste da peça prematuramente, encurtando quase pela metade a sua durabilidade.

O simples fato de parar o veículo em um semáforo na subida com o pé no pedal da embreagem desnecessariamente contribui para o seu desgaste prematuro. O melhor é deixar o carro em ponto morto sempre que parar em semáforos. Por isso que, em cidades com topografia acidentada, com muitas ladeiras, a embreagem é mais usada e se desgasta mais rápido, diferentemente do que ocorre quando o veículo é utilizado em localidades planas.

O mesmo acontece quando o veículo roda mais em estradas porque é possível percorrer longos trechos sem precisar ficar trocando o tempo todo de marcha, ao contrário do que acontece em cidades com trânsito intenso.

Em São Paulo, por exemplo, o motorista de táxi chega a trocar de marcha mais de mil vezes ao dia. Haja paciência!

Nas Inspeções Veiculares Gratuitas realizadas em pontos de São Paulo pela Agenda do Carro, 20% dos mais de 2 mil veículos necessitam de revisão no item embreagem.

A embreagem é um dispositivo formado pelo disco, platô e rolamento, que fica localizado entre o motor e o câmbio e que se movimenta para gerar força e pressão, permitindo o acionamento do engate das marchas. São peças de desgaste, assim como a sola do sapato, e basta ligar o veículo que elas entram em ação para que o motorista dê a arrancada.

Essa engrenagem também envolve outros componentes periféricos como molas e anéis de atrito; todos se movimentam quando a embreagem é acionada. Para o motorista, somente o pedal fica visível. Feito de aço, ele é revestido por uma capa que, ao se deslocar, também promove atrito.

O pedal é conectado à embreagem por meio de cabo ou sistema hidráulico, dependendo do modelo do veículo. O importante é saber que cada tipo de carro tem um esforço adequado para o pedal, que é o melhor indicativo para avaliar o estado da embreagem.

À medida que a embreagem se desgasta, o pedal sobe e, se não for regulado, pode ficar 6 cm mais alto do que o pedal do freio. Essa diferença é bem fácil de identificar e indica que está na hora de levar o carro para um mecânico de confiança. Ele utiliza um aparelho específico para verificar como está o nível do esforço do pedal.

Outra forma de avaliar é verificar se o pedal está duro. Com o desgaste do uso, o esforço no pedal para fazer a troca de marchas aumenta gradativamente, o que muitas vezes faz com que o motorista nem perceba a mudança. Somente quando ele vai dirigir outro veículo do mesmo modelo que o dele é que pode sentir a diferença e perceber que o pedal do seu carro está mais duro.

O esforço do pedal pode aumentar, quase que triplicar, passando de 9 kg para 30 kg. E o motorista se acostuma com a mudança, que é paulatina, até aparecerem os sinais característicos do fim do processo de desgaste natural do sistema: o motor faz barulho, o carro patina (sai até fumaça) e a marcha é engatada, mas o carro não sai do lugar. Por isso, quando o carro começar a patinar, é melhor verificar o que está acontecendo.

Além do desgaste natural das peças, a embreagem também pode ter o seu funcionamento comprometido por outros motivos. Como o carro é um sistema integrado de peças e componentes, tudo está interligado. Se houver vazamento de óleo do motor ou do câmbio, a embreagem corre sério risco de ser danificada. Ela fica entre esses dois componentes, que utilizam lubrificantes (motor e câmbio). Se ocorrer a contaminação, a embreagem perde totalmente a sua função e o processo é irreversível.

É por isso que os fabricantes recomendam que a troca da embreagem sempre utilize peças de qualidade e que atendam às especificações exigidas pela marca do veículo e que os retentores de óleo sejam checados, pois, se a embreagem for trocada e existir vazamentos no motor ou no câmbio, todo trabalho será em vão. O mesmo se aplica às peças periféricas (garfo da embreagem, volante do motor e rolamento da ponta do eixo piloto).

Não adianta solucionar o problema pela metade. É necessário avaliar todos componentes que estão ligados de alguma forma ao processo, podendo comprometer o seu funcionamento.

De uns tempos para cá, com a evolução da tecnologia embarcada nos automóveis, quando a embreagem precisa ser trocada já vem o kit completo com platô, rolamento e disco. Não há mais a comercialização separada de um desses produtos pelo entendimento de que o sistema é composto por essas três peças que se desgastam com o uso e o funcionamento da embreagem, dependendo da qualidade e do estado em que elas se encontram.

É conhecendo mais sobre o assunto que se pode avaliar melhor o carro e a melhor forma de mantê-lo em bom estado. Isso garante a segurança do motorista e dos ocupantes, além valorizá-lo na hora da revenda.

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Antônio Carlos Bento é coordenador do GMA – Grupo de Manutenção Automotiva composto pelo Sindipeças – Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores; Andap – Associação Nacional dos Distribuidores de Autopeças; Sincopeças-SP – Sindicato do Comércio Varejista de Peças e Acessórios para Veículos no Estado de São Paulo; Sindirepa-SP – Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de São Paulo, entidades que representam a cadeia de reposição independente de veículos.

Antônio Carlos

Antônio Carlos
Profissional da indústria automotiva há 23 anos. Ocupou posições em empresas nacionais e multinacionais, com larga experiência adquirida no MERCOSUL, USA e China. Atualmente é Conselheiro do Sindipeças para o mercado de reposição e coordenador do GMA, Grupo de Manutenção Automotiva. Bento, como é conhecido no setor, é também membro do Conselho Fiscal do SAE, a Sociedade dos Engenheiros da Mobilidade.

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