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Moto do Rally Dakar tem até controle de tração

Feitas para encarar 'pesados' 9.000 km, máquinas trazem muita tecnologia

Texto: Agência INFOMOTO | Foto: Divulgação 08/01/2016
 
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O desafio talvez seja um dos mais difíceis para uma motocicleta. Na edição do Rally Dakar deste ano, que largou de Buenos Aires em 2 de janeiro, 144 pilotos de moto irão percorrer um total de 9.319 km, passando pela Bolívia até terminar na cidade de Rosário, na Argentina. Grande parte dessa distância com o acelerador “no talo” nos trechos especiais e cronometrados. Sem contar que eles não irão acelerar no asfalto: pedras, buracos, rios, enfim, todo tipo de obstáculo terá de ser vencido por essas valentes máquinas.

A receita para vencer o desafio é aliar desempenho à durabilidade. Uma equação complicada ainda mais pelo regulamento, que não permite a troca de motor. “Não é proibido trocar o motor, mas o piloto é punido com acréscimo de tempo. Por isso, o ideal é não trocar”, explica Geraldo Lima, mecânico que fazia os últimos ajustes na moto do piloto Jean Azevedo da equipe Honda South America Rally Team, único brasileiro na categoria, no acampamento de Carlos Paz, antes da largada para o segundo dia de prova.

Fomos até a Argentina, acompanhar as primeiras etapas do Dakar 2016, e conhecer essas resistentes máquinas do rali mais perigoso e famoso do mundo. A Honda montou um verdadeiro exército: nove pilotos, quatro da Honda South America e outros cinco da Honda Racing Corporation (HRC), aceleram a CRF 450 Rally na edição deste ano.

Tudo para trazer a vitória para a marca japonesa e desbancar a hegemonia da austríaca KTM, que venceu as últimas 14 edições. O time laranja conta com seis pilotos para tentar mais uma vitória. Há ainda a equipe Husqvarna, marca que pertence a KTM e utiliza um modelo semelhante a 450 Rally Factory da fábrica austríaca, que muda basicamente a roupagem. Além disso, a Yamaha montou uma equipe forte com quatro pilotos para brigar pelas primeiras posições. 

Honda CRF 450 Rally

A gigante japonesa retornou ao Rally Dakar em 2013, quando tentou competir com sua moto de enduro, a CRF 450X. Os pilotos Honda completaram a prova, mas o motor monocilíndrico com comando de válvulas Unicam não apresentou o desempenho necessário para vencer a prova. Portanto, desde a edição de 2014, a marca vem desenvolvendo a CRF 450 Rally. O modelo traz motor de um cilindro com arrefecimento líquido, porém com duplo comando de válvulas (DOHC). Há ainda um pequeno radiador exclusivo para o óleo, que vai instalado sobre a estranha carenagem. “Como a temperatura é alta e o motor é muito exigido, é preciso o líquido para arrefecer o cilindro e um radiador para o óleo do motor”, reforça o mecânico Geraldo Lima. O desempenho não é divulgado, mas estima-se que a CRF 450 Rally produza cerca de 45 kW, aproximadamente 60 cv. O suficiente para atingir velocidades superiores a 160 km/h - na terra!

Os japoneses afirmam que o modelo para 2016 é o mais avançado já produzido pela marca e está pronto para vencer a prova. Com quadro de alumínio e algumas partes em fibra de carbono, a CRF 450 Rally do brasileiro tem o peso estimado em 160 kg, já com os 32 litros de gasolina exigidos pela organização da prova. Para este ano, os pneus são da francesa Michelin, assim como os “mousse”. O “mousse” é uma espécie de borracha que substitui o ar nos pneus de rali e evita alguns furos, mas não todos.

Outra novidade da moto japonesa é o controle de tração, desenvolvido pela própria Honda Racing Corporation. A adoção do sistema só foi possível por causa da instalação do acelerador eletrônico na CRF 450 Rally. “A maioria dos pilotos não gosta de utilizá-lo, por isso existe a opção de desligar o controle de tração. Mas ele ajuda a economizar combustível, pois diminui as derrapagens na roda traseira; e também economiza pneus”, explica o chefe da equipe HRC, o alemão Wolfgang Fischer.

Mesmo toda essa tecnologia e preparação, algumas vezes, não são suficientes para vencer o imponderável em um rali como o Dakar. O brasileiro Jean Azevedo sofreu uma forte queda no dia seguinte a nossa visita, no trecho entre Carlos Paz e Termas do Rio Hondo. Embora não tenha sofrido ferimentos graves, os tanques traseiros de sua moto, que levavam cerca de 20 litros de gasolina, se quebraram. Com isso ele teve que poupar combustível e chegou em último lugar.

Na última quinta-feira (07/01), na segunda perna de uma etapa maratona, quando os pilotos não podem fazer manutenção nas motos, Azevedo abandonou o rali. Como não tinha mais chances de vencer a prova, Jean deu seu radiador para o argentino Javier Pizzolitto, seu companheiro na equipe Honda South America, que estava mais bem colocado e precisava seguir em frente. Mais uma prova de que, além de muita gasolina, preparo e técnica, também é preciso um pouco de sorte para triunfar no Rally Dakar.

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