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Honda NC 750X: porte grande, consumo pequeno

Crossover da Honda agrada pela funcionalidade e baixo consumo; parte de R$ 29.802

Texto: Karina Simões | Foto: Karina Simões/WebMotors 30/12/2015
 
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“Pilotar essa Honda é como vestir aquela roupa que a gente usa faz tempo”. A definição simplista é sobre a Honda NC 750X. A frase, proferida por um velho amigo entendedor de motocicletas – e dono de uma porção de modelos -, exprimiu de forma quase ingênua quão confortável e confiável este modelo parece ser. Também tive a mesma impressão que ele assim que peguei a moto, mas após uma semana rodando diariamente com a crossover, comprovei outras qualidades.

Sim, crossover. É assim que denominam o modelo, um cruzamento de uma moto que pode ser sua fiel companheira no uso urbano, mas também encarar rodovias e, por que não, uma estradinha de terra (de leve). Ela é bonita, mas não é pelo visual que ela chama atenção, tampouco pelo desempenho.

Racional

A versão com ABS que testamos custa R$ 31.972, sem o sistema antitravamento ela parte de R$ 29.802. A NC 750X chegou ao mercado para substituir a NC 700X e continuar sendo uma opção racional, corrigindo as “imperfeições” de sua antecessora. A Honda manteve o conforto e boa estabilidade já conhecidos do modelo, mas aprimorou a potência e consumo de combustível. E já que estamos falando em atributos, vou direto ao ponto que mais me surpreendeu na NC, o quanto ela é econômica. Fiz 26,8 km/l, isso porque não manerei muito na manopla da direita. E esse número pode ser melhorado, vai da vontade do piloto.

Pense que são quase 30 km/l para uma moto de 745 cm³! É impressionante. Você pode monitorar o consumo pelo painel de instrumentos em LCD, cujo computador de bordo fornece informações sobre o consumo médio, instantâneo e até o combustível utilizado em litros, além de indicador de marcha engatada, relógio, conta-giros, entre outros dados. 

O motor é um bicilíndrico em linha arrefecido a líquido que gera 54,8 cv entregues já aos 6.250 rpm e o torque máximo é de 6,94 kgfm a 4.750 giros. O motor é silencioso e não vibra quase nada. Isso porque internamente ele ganhou novos balanceiros, duplos. Na estrada, em sexta marcha, o comportamento é ainda mais “liso”. O câmbio é de seis marchas, seis longas marchas, com engates suaves e precisos. Na cidade ela não pede nem quinta, e a sexta é praticamente intocada em uso urbano. Uma curiosidade é que o modelo vendido na Europa possui câmbio com sistema de dupla embreagem - DCT (Dual Clutch Transmission) -  que não deve chegar em terras tupiniquins.

Outra mudança em relação à NC 700X é que a Honda ampliou eletronicamente a faixa de corte do motor em mais 400 rpm. Desta forma o motor ficou mais elástico, contudo, senti que nas primeiras marchas o corte ainda é precoce. A potência está maior, mas a NC 750x não chega a ser um "ás" da velocidade, e nem é essa a proposta da moto, mas ela atende bem às expectativas. A velocidade final é de 174 km/h – sua antecessora chegava aos 167 km/h -, segundo medições do intituto Mauá.

Funcional

A construção da moto é simples, o que justifica o preço e até o peso. Sem componentes dos mais leves, o quadro tipo diamond é em aço e balança também em aço, a NC tem 209 kg de peso seco (versão com ABS), sem contar os 14,1 litros de combustível. Mas na prática ela é levinha, e como uma boa Honda, facílima de pilotar.

As mudanças de direção são realizadas de maneira suave e, mesmo com o porte avantajado e distância entre eixos de 1.538 mm, ela mostrou-se ágil no trânsito. Não fosse o guidão largo, a vida entre os carros seria ainda mais fácil. A boa estabilidade da moto pode ser justificada pela centralização de massas. Calma, eu explico. Na NC, o tanque não fica na posição convencional e sim sob o assento. Sem o tanque de combustível na posição original, a Honda aproveitou o espaço para um guarda-volumes, onde cabe um capacete tamanho 60 fechado. Eu, por exemplo, usei o espaço para levar minha compacta bagagem de viagem e confesso que foi muito bom pegar estrada sem mochila nas costas.

Uma dica: evite amarrar bagagem sobre o assento do garupa. Na hora de parar para abastecer a moto, você irá entender... Falando nele, o assento é confortável e possui uma cobertura texturizada menos escorregadia, além do que, a altura do banco - 831 mm - é boa para pessoas de média estatura.

Na dianteira há uma bolha pequena, que auxilia a cortar o vento na estrada, mas ela poderia ser um pouco maior. É possível ajustá-la em apenas 16 mm, o que na verdade não faz muita diferença. Para testar a polivalência da NC, arrisquei um trecho de terra em estradinhas arenosas do litoral norte se São Paulo. Embora falte um pouco de suspensão e, claro, pneus mais propícios, ela não decepcionou. Ou seja, se precisar encarar trechos leves de terra, a NC não irá te deixar na mão. A suspensão dianteira utiliza garfo telescópico, com 153,5 mm, enquanto a traseira Pró-link tem curso de 150 mm e permite ajustes na pré-carga da mola.

Os freios são a disco e agora não tem mais a função combinada, o modelo com ABS possui disco de 320 mm na dianteira e cáliper de dois pistões e disco de 240 mm e cáliper de único pistão na traseira. Já os pneus são Pirelli Scorpion Trail com medidas 120/70 ZR17M/C (dianteira) e 120/60 ZR17M/C (traseira).

Aqui é parceria!

Pelo o uso que fiz da NC 750X, ela deixará saudade. Rodei na cidade, na estrada, na terra, na areia e ela foi parceira em todos os terrenos, sem abusus, claro. Esta crossover não te ganha por ter um motor ultra potente, mas pela funcionalidade, porque não vibra quase nada, não esquenta, tem uma ciclística invejável, é econômica e confortável. A Honda já anunciou algumas mudanças para a versão 2016 na Europa, que ganhará visual mais arrojado, luzes de LED, uma bolha maior e mais um litro de capacidade no porta-objetos (que vai para 22 litros). Além disso, a suspensão terá novos ajustes e o escape não será tão grande como o atual. Ainda não sabemos quando essas mudanças chegarão por aqui, já que a NC 750X começou a ser vendida em meados de 2015. De qualquer forma, a montadora está dando um desconto interessante no modelo para quem pagar à vista - a versão com ABS sai por R$ 29.990 e a standard R$ 27.990. Talvez, seja a oportunidade para quem prefere uma moto de verdade a um scooter, procura uma compra racional, mas não abre mão do prazer de pilotar.  

Karina Simões

Karina Simões
Sempre preferiu carrinhos a bonecas. Seu primeiro brinquedo motorizado foi um Jeep Willys 1951, que dirige até hoje. É realizada escrevendo sobre veículos, seja ele qual for. Acorda cedo para assistir ao MotoGP.  

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