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Ducati Scrambler Icon: Viva a reinvenção!

Modelo alia simplicidade e personalidade, mas cobra caro por isso, R$ 36.890

Texto: Karina Simões | Foto: Karina Simões/WebMotors 15/03/2016
 
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Reinventar-se. Sempre é tempo, diz o jargão. O termo, que caberia tranquilamente à atual situação política do País, foi muito bem usado pela italiana Ducati para atrair um público diferenciado à suas lojas. Modelos carenados e aquele vermelho vivo? Esqueça. A pegada agora é ser descolado e, é claro, o adjetivo ganha bem mais peso se estivermos em cima de uma Ducati Scrambler.

A versão testada foi a Icon, de entrada, lançada no Brasil no final de 2015 e que custa R$ 36.890. Ela é uma releitura de modelos que fizeram muito sucesso nas décadas de 1960 e 1970. A própria Ducati fabricou modelos scrambler de 250cc a 450 cc entre 1962 a 1974.

Para que você entenda, naquela época não existiam motos trail ou de enduro. Então, as motos street eram adaptadas para uso na terra e batizadas de scramblers, criando um novo estilo. Cinquenta anos depois chegou minha vez de pilotar uma scrambler “moderna”. Obrigada, Ducati.

Fiu, fiu

Ela é muito estilosa. Uma moto com carinha das antigas, mas algumas modernidades. O farol dianteiro é redondo e conta com um aro em LED para iluminação diurna, bem bonito. Na traseira, a lanterna também é em LED, com desenho minimalista. O tanque de aço é em estilo gota com protetores laterais em alumínio escovado e no bocal há os dizeres “Born in 1962” (nascida em 1962, em inglês, para lembrar que a moto tem história). Nas laterais, o destaque vai para as curvas do escape – que remetem a outros modelos da Ducati – porém com uma ponteira curta exclusiva. No mais, um par de pneus mistos sulcados montados em rodas pretas. Uma tetéia.

Os italianos arrasaram também no design do painel com visor digital, redondinho e um pouco deslocado para o lado direito. Embora ele seja bonito, traz somente o básico. Não espere marcador de combustível ou indicador de trocas de marcha, não tem.

Aliás, a Scrambler traz apenas o essencial em termos de tecnologia: freios ABS. Mas vamos logo ao que interessa. Quando me posicionei no banco reto dessa gracinha, duas coisas me chamaram a atenção: o tanto que ela é baixinha, com apenas 790 mm de altura do solo (o que é muito favorável às mulheres que tem receio de pilotar motos altas ou mesmo homens de baixa estatura) e o guidão reto, largo e alto.

Desfilando

Liguei a moto e me empolguei com o ronco encorpado. Ela é equipada com o motor Desmodrômico de 2 cilindros em L e duas válvulas por cilindro, arrefecido a ar e óleo. Aquele que equipava a extinta Monster 796, lembra? Mas calma, ele também foi reinventado. São 803 cm³ que o faz render 75 cv aos 8.250 rpm. Mas o que eu gostei de cara assim que saí da Ducati foi o torque de 6,9 kgfm que chega com tudo a precoces 5.750 giros. Isso explica porque ela tira a roda dianteira do chão rapidinho e, consequentemente porque encontramos tantos vídeos no youtube de pilotos empinando essa Ducati.

Ela é forte, mas a parte boa é que o fôlego está presente independentemente da rotação, evitando aquele “buraco negro” que existe em determinada faixa de giro de algumas motos. Todavia, alguns fatores não me agradaram muito ao rodar com ela cidade: no trânsito ela esquenta demais, o que gera incômodo nas pernas do piloto, e o guidão largo atrapalha um pouco a circulação entre os carros (ao menos ele é alto).

O garupa conta com alças escondidas sob o banco para segurar, mas o calor que o motor gera chega a esquentá-las também. Embaixo do banco encontramos ainda uma entrada USB, que serve para carregar seu telefone, por exemplo.

Sobre os paralamas, vale um comentário. O dianteiro é bem curtinho e acaba não cumprindo sua função, em dias de chuva a água vem de cima, de baixo, de trás, da frente. Digo isso porque a peça traseira é praticamente inexistente e com um "pneuzão" sarado atrás, o resultado não poderia ser outro. Minha opinião: a moto está belíssima assim, você que escolha dias secos para sair com ela.

Adorei o potencial da Scrambler em contornar curvas e o acerto das suspensões, que filtram bem o terreno. Na dianteira há um garfo telescópico invertido Kayaba com tubos de 41 mm e na traseira uma balança em alumínio monoamortecida. São 150 mm de curso e possibilidade de ajuste na pré-carga da mola. Os freios utilizam disco de 330 mm com pinça radial Brembo de quatro pistões na dianteira e um disco de 245 mm de diâmetro, com pinça de um pistão também Brembo, na traseira.

Por último, um ponto alto para a Scrambler ter o comprtamento que tem: os pneus. Os Pirelli MT-60 foram desenvolvidos exclusivamente para ela. São radiais e oferecem muita segurança tanto no seco quanto no molhado. As medidas são o 110/80 R18 na dianteira e 180/55 R17 na traseira.

Tudo pelo estilo

A Ducati Scrambler Icon é uma moto com cara de moto, que consegue entregar ao mesmo tempo simplicidade e personalidade. Ela combina com a atmosfera antiga da Estação da Luz, em São Paulo (onde fizemos as fotos), mas também cai bem ao cenário cosmopolita de qualquer centro financeiro do mundo. Trazendo a questão para a nossa realidade, é certo que ela cairá no gosto de hipsters barbudos que usam camisa xadrez e barba longa -  nada como chegar ao barbeiro do momento em uma motoca tão estilosa como essa - , mas deixando os estereótipos de lado, ela também vai agradar a qualquer um que procure uma moto diferente para passear no fim de semana. Lógico, desde que a pessoa esteja disposta a pagar o que pedem por ela. 

Karina Simões

Karina Simões
Sempre preferiu carrinhos a bonecas. Seu primeiro brinquedo motorizado foi um Jeep Willys 1951, que dirige até hoje. É realizada escrevendo sobre veículos, seja ele qual for. Acorda cedo para assistir ao MotoGP.  

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