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Comparativo: Yamaha XTZ 250 Ténéré enfrente Honda XRE 300

A recém lançada Yamaha XTZ 250 Ténéré mostra suas armas para enfrentar a Honda XRE 300 ABS

Texto: Arthur Caldeira | Foto: Gustavo Epifanio 17/12/2010
 
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(17-12-10) - Não fosse pela capacidade cúbica de seus motores – entre 250 cm³ e 300 cm³ - Yamaha XTZ 250 Ténéré e Honda XRE 300 bem que poderiam ser excelentes aventureiras. Têm tanques de combustível com capacidade acima da média. Bancos largos, proteção aerodinâmica e suspensões de longo curso. Mas os dois modelos são a primeira opção – principalmente no quesito “preço” - para o motociclista brasileiro que busca uma moto versátil, seja para uso no dia-a-dia ou em viagens.
Lançada em junho de 2009, a Honda XRE 300 praticamente inaugurou no Brasil o segmento de motos trails de baixa capacidade cúbica com vocação mais “aventureira”. Substituiu a XR 250 Tornado não apenas com um motor maior, mas também com mais conforto e autonomia.

Para enfrentar a XRE, a Yamaha apresentou recentemente a XTZ 250 Ténéré que, apesar de anunciada como um novo modelo, se trata de uma versão mais sofisticada da Lander. O motor de 250cc é fixado de forma diferente no mesmo quadro de berço semiduplo, porém com conjunto de suspensão recalibrado – o amortecedor traseiro ganhou reservatório de gás e nova regulagem; e o garfo dianteiro tem menor curso. Mas a principal mudança fica mesmo por conta do tanque de maior capacidade (16 litros contra 11 na Lander) e o banco mais largo e em dois níveis. Tudo para atender ao motociclista que quer uma moto para viajar.

Desempenho e consumo

Apesar da menor capacidade, o desempenho do motor Yamaha monocilíndrico de 249 cm³, comando simples no cabeçote, e refrigeração mista (ar e óleo) tem praticamente o mesmo desempenho do propulsor de 291 cm³ da Honda. Os números de potência declarados (26,1 cv na XRE 300 e 21 cv na Ténéré 250) fazem que crer que a trail da Honda teria melhor desempenho, mas na prática as duas mantém velocidades finais semelhantes: por volta dos 135 km/h no velocímetro.

A diferença mais sensível é mesmo em arrancadas, quando o maior torque (2,81 kgf.m) e as relações primárias e secundárias da XRE 300 fazem a Honda largar na frente da Yamaha (2,10 kgf.m). Mas a diferença não chega a ser determinante na hora de optar entre as duas.

Mais importante é o consumo e a autonomia. O consumo de ambas é bem semelhante: a XRE 300 (versão com ABS, utilizada no comparativo) roda em média 28 km/litro, já a Ténéré faz 28,5 km/litro. Claro que depende do estilo de pilotagem, peso do piloto e bagagem, vento contra, entre outros fatores.

Com seu tanque para 16 litros, a Ténéré leva vantagem no questio autonomia: poderia rodar mais de 450 km sem abastecer. Já o reservatório da XRE 300 tem somente 12,4 litros, resultando em cerca de 340 km de autonomia.

Ciclística
As duas trails têm quadros berço semiduplo em aço, suspensões de longo curso e vocação mais on do que off-road. As suspensões de ambas enfrentam obstáculos sem grandes problemas, porém nota-se mais rigidez na Yamaha do que na Honda. A Ténéré é mais estável no asfalto, enquanto a XRE 300 parece absorver melhor as imperfeições de estradas de terra. Ambas encaram uma estrada de terra com desenvoltura, mas passam longe de trilhas mais pesadas. E nem é essa a proposta.

No quesito freios, a XRE 300 leva larga vantagem, ainda mais na versão com ABS. A trail Honda tem uma resposta instantânea. Já a Yamaha, apesar da nova malha interna em cobre, uma melhoria em relação a Lander, ainda tem um freio um pouco mais “lento”, comumente chamado de borrachudo.

Outra diferença entre elas são as rodas e pneus. Enquanto a XRE 300 tem aros de alumínio pintados em preto, a Ténéré traz aros de aço. Já os pneus Metzeler Enduro 3 da XRE são mais off-road e fazem muito barulho no asfalto. Por outro lado, os pneus Pirelli Scorpion MT 90 da Yamaha são de uso misto também, porém com mais vocação para uso em estrada. Fazem menos ruídos em altas velocidades e transmitem mais segurança no asfalto.

Conforto e equipamentos
Tanto XRE 300 como Ténéré 250 foram projetadas também para encarar viagens e proporcionam conforto ao motociclista. Ambos os assentos são largos, em dois níveis e confortáveis. Na Yamaha a espuma tem maior densidade e, na minha opinião, melhor encaixe para o piloto do que na Honda. Outro item que dá vantagem para a Ténéré é o grande parabrisa que ajuda a desviar o vento e aumentar o conforto, principalmente na estrada.

O que não significa que a XRE 300 seja desconfortável. Pelo contrário. O macio banco da Honda foi elogiado pelo outro motociclista neste comparativo. E a posição de pilotagem também é excelente. Mas a pequena bolha da XRE não é tão eficaz quanto a da Ténéré.

Por outro lado, a XRE 300 traz de série um item prático para viagens. Seja para amarrar bagagem ou instalar um baú, a trail da Honda conta com um belo bagageiro. Para a Ténéré o item será vendido como acessório.

Entretanto, analisando outros equipamentos, como painel e os comandos, a Ténéré leva vantagem. Seu painel é mais moderno – conta-giros de leitura analógica e velocímetro digital – e de fácil leitura. O painel da XRE também é atual, porém o tacômetro digital é de difícil visualização, principalmente sob o sol. Nos comandos, outro ponto para a Yamaha que traz lampejador de farol alto, ausente no modelo Honda.

Bolso
Os desenhos dos dois modelos são atuais e de bom gosto, porém alguns torcem o nariz para o desenho da XRE 300 (que eu particularmente gosto) e outros criticam a traseira minimalista da Ténéré 250. Fica a gosto do cliente. Se deixarmos de lado o design, já que se trata de um quesito muito pessoal, os dois modelos atendem à proposta de ser uma moto de média capacidade cúbica para uso misto em cidade e estradas.

Porém um item pesa bastante na hora de escolher entre Honda XRE 300 e Yamaha XTZ 250 Ténéré: o bolso do consumidor. Enquanto a nova Ténéré tem preço médio de R$ 13.350, a XRE 300 com ABS é vendida a R$ 16.150 (preços médios praticados nas concessionárias de São Paulo capital). E até mesmo na versão sem ABS, a moto Honda é mais cara, custando R$ 13.500. Portanto, alguns reais a favor do modelo de 250cc da Yamaha.

Se compararmos o preço do seguro, a Ténéré ganha outras milhares de vantagens. Cotado na mesma seguradora e para o mesmo perfil de motociclista (masculino, 31 anos, residente na Grande São Paulo), o seguro para a XTZ 250 fica em R$ 2.387,00, enquanto para a XRE 300 sai R$ 6.049,56. Ou seja, quase três vezes mais caro. No preço das peças, a disputa é bastante acirrada (veja box).

Conclusão
Antes deste comparativo, a grande dúvida era: seria a recém-lançada Yamaha XTZ 250 Ténéré uma concorrente a altura da Honda XRE 300? A resposta é sim. Cumpre praticamente o mesmo papel, por um preço menor.

A Honda XRE 300, porém, tem freios melhores, rodas de alumínio e bagageiro de série. Por outro lado, a Ténéré tem tanque maior, bolha mais eficiente e pneus mais adequados à sua proposta. A escolha vai depender do seu gosto pessoal e, principalmente, do seu bolso.

BOX
Peças originais * Honda XRE 300 Yamaha XTZ 250 Ténéré
Kit de relação final (coroa/corrente e pinhão) 436,00 / 590,50
Pastilha dianteira 170,76 / 123,10
Retrovisor direito 53,99 / 49,00
Filtro de óleo 30,83 / 42,20
* Preços médios em reais pesquisados nas concessionárias de são Paulo (SP)

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