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Aceleramos a YZF-R3, inédita esportiva de 321 cc
da Yamaha que chega ao Brasil; parte de R$ 19.990

Com visual de pista e desempenho de rua, R3 promete dar trabalho às concorrentes

Texto: Karina Simões | Foto: Mario Villaescusa 03/08/2015
 
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No último sábado, a Yamaha nos proporcionou um dia digno de encerramento de férias escolares. Não estou de férias, tampouco na escola, mas o sentimento foi equivalente ao de uma criança que chega ao parque de diversões querendo aproveitar cada minuto antes de retomar o ano letivo. Sol de rachar, nenhuma núvem no céu para dar indícios de chuva e uma pista homologada pela FIA (Federação Internacional do Automóvel) à disposição. Quase 3,5 km de asfalto liso, 14 curvas e um brinquedo: a inédita YZF-R3.

A japonesinha em questão era muito aguardada por aqui e a justificativa é simples. Ela chega para rivalizar com outra oriental que reina praticamente sozinha no mercado, a Kawasaki Ninja 300. Para se ter ideia do peso deste lançamento, a "Ninjinha" é a esportiva mais vendida do País segundo dados da Fenabrave, com um total de emplacamentos acumulado em 946 unidades até junho deste ano, além disso, foi a moto 0 km mais buscada na WebMotors no último mês, conforme apontou o Indice WebMotors. Sem dó nem piedade, a Yamaha trouxe uma bela – literalmente -  representante para o segmento, que chega às lojas em setembro por R$ 19.900 na versão standard, exatos mil reais a mais do que a Kawasaki pede pela Ninja 300 em sua tabela. Na segunda quinzena de novembro, chega a versão com ABS, por R$ 21.990, preço exatamente igual ao da rival nipônica também com ABS.

Surpreso com o preço? É porque você ainda não viu o resto. Comprovamos que ela tem tudo para entrar na lista de desejos de muita gente. A começar pelo design, que dá a impressão de se tratar de uma moto de maior cilindrada. Com DNA esportivo, o visual da R3, especialmente na cor azul e branca, remete ao de sua irmã poderosa e desejada R1. A dianteira agressiva conta com faróis duplos enquanto a traseira possui recorte elevado arrematado com uma lanterna de LED.

Para todos os dias, mesmo!

Devidamente equipada, aguardava minha vez. Fiz parte do segundo grupo a pilotar, portanto, peguei a moto com os pneus já aquecidos. Ao me posicionar na R3, chamou a atenção sua estrutura compacta. O banco, embora estreito é confortável, e o posicionamento das pedaleiras e dos semiguidões localizados sobre a mesa superior também contribuem para a boa ergonomia da R3, mostrando que ela aparenta ser mais “racing” do que realmente é. As pernas encaixam perfeitamente no tanque “fininho” e os pés alcançam o solo sem nenhum esforço - são apenas 780 mm de altura do chão. Ao dar partida, encontro no painel tudo o que eu preciso: um conta-giros analógico à esquerda e uma tela de LCD à direita que mostra a marcha engatada, nível de combustível, temperatura da água, relógio, hodômetro total e dois parciais e até avisa a hora de trocar o óleo.

O motor de dois cilindros em linha e 321,6 cm³ entrega 42 cv (3 a mais que a Ninjinha 300 e apenas 8 a menos que a Honda CBR 500R) e 3,02 kgf.m de torque. Como esperado, ele segue a linha da nova safra de motores da Yamaha, que já experimentamos nos modelos MT, com quase total ausência de vibração e entrega de potência progressiva. Com um motor leve e de construção fácil, a marca dos diapasões investe em soluções simples para deixar o conjunto mecânico mais refinado, um exemplo são os cilindros fabricados com uma mistura de alumínio e silício, para melhor dissipação do calor.  

Nas primeiras voltas adotei uma condução mais conservadora, imaginando o uso urbano, e me surpreendi muito pelas ótimas respostas do motor em baixas rotações – sua rival Ninjinha prefere trabalhar em giros mais altos. O baixo peso - 167 kg -, a facilidade de pilotagem e a ergonomia da R3 também não deixam dúvidas de que seu habitat natural é a cidade.

Muito à vontade no cockpit da R3, hora de extrair sua esportividade na pista. O shift light (luz branca que acente no painel quando é hora de trocar a marcha) empolga e mostra que a Yamaha se atentou aos detalhes. A partir dos 7 mil giros ele pode entrar em ação, basta ajustá-lo a sua faixa de giro preferida. Nas retas, a diversão era ver a luz branca acender no painel e ir subindo as marchas. Falando em retas, para meu 1,70 metro de estatura ficou fácil carenar na miniesportiva e me beneficiar de sua boa aerodinâmica - pilotos mais altos que eu não tem a mesma sorte.

O chassi de aço, do tipo diamante, oferece boa rigidez à R3, que se mostrou muito equilibrada nas curvas e ágil nas mudanças de direção. Na pista, aponto a R3 para o traçado que quero seguir e ela segue sólida e consistente, independentemente da velocidade ou do grau de inclinação. Aliás, ela é tão divertida em curvas, que por diversas vezes foram as pedaleiras raspando no chão que me avisavam que cheguei no limite de segurança.

O câmbio aguentou bem uma tocada mais radical, com engates rápidos e reduzidas bruscas. O manete de embreagem, inclusive, é bem mais macio. Já as suspensões, sensívelmente macias, tem acerto melhor para a cidade. A dianteira, que utiliza garfo de 130 mm de curso e tubos internos de 41mm de diâmetro é macia demais para a pista e ela não tem possibilidade de ajustes, já a traseira monocross conta com regulagens de pré carga em sete níveis. Os pneus Metzeler devem cumprir bem seu papel na cidade, mas para a pista, se esse for o caso, aconselho substituí-los por um de maior aderência.  

Nas frenagens a R3 surpreendeu de forma muito positiva, especialmente pelo ABS de três canais – item que algumas motos mais caras que ela não oferecem. Ele faz a descompressão da frenagem de maneira muito refinada, o que trocando em miúdos quer dizer que não levei nenhum susto com sua atuação antecipada, nem senti que ele atrapalhou minha tocada na pista, a ponto de eu duvidar se estaria mesmo em um modelo com ABS.  Os freios utilizam disco nas duas rodas, sendo o dianteiro flutuante de 298mm, e o traseiro com 220mm de diâmetro.

Difícil resistir

Não resta dúvidas que a R3 vai atrair muitos olhares e, pelo preço competitivo, vai incomodar muito a concorrência. Para facilitar ainda mais este processo, a Yamaha oferece para os compradores da R3, independente do perfill, seguro contra roubo e furto, além de assistência 24 horas e rastreador, pelo preço fixo de R$ 2 mil neste primeiro ano.

Outra facilidade é o financiamento, com entrada a partir de 20% do preço da moto, ou R$ 6.350, e o restante em 48 parcelas com taxa de juros a partir de 1,79%. Há ainda o consórcio Yamaha, onde o cliente paga parcelas mensais a partir de R$ 424,78 (para aversão Standard) com até 13 sorteios por mês.

Depois de colocar uma delas na garagem, a Yamaha ainda oferece uma linha de acessórios para deixá-la customizada. Eles incluem ima capa do assento do garupa (R$ 799), transformando-o em monoposto, sliders muito estilosos (R$ 499), piscas em LED (R$ 299 o par) e uma bolha mais esportiva (R$ 399).

Esportiva para todos os dias

Esse é o slogan da Yamaha para a novidade, e comprovamos que ele faz muito sentido. Fui uma das últimas a sair da pista, com o sol já baixo, sorriso no rosto e a constatação de que a R3 é uma moto “na mão”, levinha, fácil de pilotar, compacta e que pode te proporcionar altos índices de diversão. No entanto, ela se encaixa perfeitamente às vias urbanas.

Para quem gosta de track-days, ou está iniciando nas pistas, vale investir um pouco mais em pneus e na suspensão e extrair mais de seu desempenho, já que o visual agressivo de moto grande ela já tem.

Seguindo seu cronograma de realizar um lançamento a cada seis meses no Brasil, a Yamaha, mais uma vez, apresentou uma motocicleta que reflete sua atenção aos detalhes em cada produto. Desta vez, a mais leve, mais potente e, sem dúvida, a mais bonita da categoria. O resultado disso é que eu não encontrei um ponto negativo relevante o suficiente para escrever aqui sobre a R3. Produzida na fábrida de Manaus (AM) em esquema CKD, e miniesportiva será oferecida nas cores vermelha e branca, preta e a belíssima azul e branca. Agora resta saber se a Yamaha vai ter motos suficientes para atender a demanda. 

 

Karina Simões

Karina Simões
Sempre preferiu carrinhos a bonecas. Seu primeiro brinquedo motorizado foi um Jeep Willys 1951, que dirige até hoje. É realizada escrevendo sobre veículos, seja ele qual for. Acorda cedo para assistir ao MotoGP.  

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