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16-11-10 | Texto: Fernando Miragaya / Auto Press | Foto: Maurício Machado / divulgaçãoVoltar

Teste: Toyota RAV4 2.4 16V 2011

Toyota importa RAV4 na versão 4X2 com preço menor para encarar crossovers mexicanos e coreanos

(16-11-10) - A Toyota teve de se render à moda dos crossovers. Ou pelo menos adaptar o RAV4 para ter um posicionamento mais de crossover do que propriamente de utilitário esportivo. E com uma medida simples. Passou a importar do Japão para o Brasil uma versão do modelo com tração dianteira, revestimento interno um pouco mais simples e, principalmente, mais barata – ou, melhor dizendo, menos cara. A configuração custa R$ 92.500 e, desta forma, fica mais próxima de seus rivais. Um movimento estratégico da marca japonesa para tentar aquecer as tímidas vendas do RAV4 frente a uma legião de concorrentes que, além de ter versões iniciais 4X2, é beneficiada ou pelas isenções alfandegárias por vir do México ou pelo agressivo custo/benefício típico dos sul-coreanos.

Mesmo assim, a nova versão do RAV não terá vida fácil. Isso porque, apesar da redução no preço, fica mais cara que modelos mais recheados, como o Chevrolet Captiva Sport 2.4 FWD e o Dodge Journey SE, que custam respectivamente R$ 87.425 e R$ 85.900. Os dois crossovers mexicanos oferecem seis airbags e controles de estabilidade e de tração. O modelo da Toyota só conta com bolsas frontais na versão 4X2 e só mesmo a configuração – agora top – 4X4 recebe seis airbags e custa R$ 106.800. Em mais igualdade de condições em termos de equipamentos está outro mexicano, o Honda CR-V, que na versão LX 2WD ainda custa menos: R$ 88.410.

No entanto, o RAV leva a melhor com um motor mais potente, pois usa um 2.4 16V com comando variável, 170 cv e 22,8 kgfm, enquanto o rival da Honda tem só 150 cv. Já na comparação com os coreanos, o RAV fica um pouco mais barato que o Hyundai ix35 GLS 2.0 2WD automático, que parte dos R$ 93 mil, e mais caro que o Kia Sportage LX 2.0 4X2 automático, que custa R$ 87.900. Os dois usam o mesmo motor 2.0 16V, com respectivos 168 e 166 cv.

Só que o utilitário da Toyota peca por ter o visual mais datado do segmento. O RAV mantém o desenho da atual geração desde 2006 e lembra um pouco os modelos coreanos dos anos 90. Na frente, conta com faróis horizontalizados e grade trapezoidal. Nas laterais, há algumas saliências na carroceria e linha de cintura em cunha. Na traseira, o modelo ostenta o estepe pendurado no porta-malas como seu crachá off-road. As colunas, onde estão posicionadas as lanternas, são projetadas para fora e parecem formar culotes. Um visual bastante comportado, ainda mais se comparado com o RAV vendido na Europa, com linhas mais modernas e geométricas – a marca já disse que não tem qualquer intenção de importar essa variação para cá.

Resta ao RAV apostar em um custo/benefício um pouco mais interessante nesta nova versão 4X2. Além do airbag duplo, o modelo chega com freios com ABS, EBD e assistente à frenagem de emergência, ar-condicionado automático com dual zone, direção elétrica, trio e um novo sistema de som, com rádio/CD/MP3 e entrada USB, interface com iPod e iPhone e comandos no volante. O crossover japonês também oferece coluna de direção com ajustes de altura e de profundidade, controle de cruzeiro, retrovisor eletrocrômico, faróis e lanterna de neblina, retrovisores externos rebatíveis eletricamente, entre outros.

A derivação 4X4, que teve o preço sutilmente rebaixado de R$ 107.340 para R$ 106.500 – com uma boa mãozinha do dólar mais desvalorizado frente ao real –, tem a mais, além da tração integral, airbags laterais e do tipo cortina, banco do motorista com ajustes elétricos, teto-solar, revestimento em couro e bloqueio do diferencial central. De qualquer forma, a Toyota está bem animada com a linha 2011 do RAV. O modelo registrou pífias 872 unidades no ano passado e em 2010 acumula 1.290 emplacamentos, uma média de 129 unidades mensais. Para este ano, espera alcançar o total de 2 mil unidades e para o ano que vem, a meta é chegar a 6 mil unidades totais, algo como 500/mês, sendo 75% do mix da nova versão.

Instantâneas
# O Toyota RAV4 foi lançado mundialmente no Salão de Genebra, em março de 1994. O modelo chegou ao Brasil em 1999.
# A segunda geração do utilitário esportivo foi lançada em 2000 no Japão e nos Estados Unidos. No Brasil , foi comercializada de 2001 até 2005. No ano seguinte surgiu a atual terceira geração.
# O SUV vendido aqui é o mesmo que é comercializado nos Estados Unidos. O RAV vendido na Europa, apesar de diferente no visual e de ter entre-eixos menor, também é produzido no Japão.
# A linha 2011 do crossover conta com quatro cores no mercado brasileiro: branco perolizado, prata, preto Safira e preto.
# O RAV é vendido no Brasil com três anos de garantia.
# A Toyota acredita que a nova versão do RAV pode fisgar clientes da falecida station wagon média Fielder – cuja produção foi encerrada em 2008 –, que migraram para as minivans mais equipadas e que agora vão buscar os crossovers.

Ponto a ponto

Desempenho – Os 170 cv do motor 2.4 do RAV4 oferecem arrancadas bastante eficientes e até vigorosas. Só não é mais esperto por conta do câmbio automático, que carece de modernidade. Além de ter apenas quatro velocidades, a transmissão é mal escalonada. Eleva muito os giros nas passagens em baixa e prejudica as retomadas. Por volta dos 2.800 giros, revela ainda imprecisão e um delay. Ou seja, para ultrapassagens, acaba por reduzir, elevar o giro até uns 3.500 rpm e fazer a mudança de marcha. De qualquer maneira, não é difícil alcançar os 120 km/h com o SUV, enquanto a Toyota fala em máxima de 180 km/h. Nota 7.

Estabilidade – O crossover médio japonês se mostra bem equilibrado para um modelo da sua altura. Em retas a 120 km/h não passa sinais de flutuação e nas frenagens bruscas se mostrou correto, sem mergulhar em demasia a frente. Nas curvas mais fechadas, torce a carroceria dentro da normalidade e não faz menção de desgarrar. Nota 8.

Interatividade – O modelo comete alguns deslizes ergonômicos. A alavanca que regula a altura do banco do motorista é mal localizada e o ajuste de altura do volante tem pouca amplitude. Os comandos do novo sistema de som não são intuitivos, apesar de alguns estarem no volante. Já o botão que regula os retrovisores elétricos também está mal localizado, no console central, atrás do freio de mão. Em compensação, o RAV oferece boa visibilidade, tanto frontal quanto traseira, apesar do estepe pendurado. A posição de dirigir é elevada e o quadro de instrumentos é de fácil visualização. A direção elétrica suave e bastante precisa é um dos destaques. Nota 7.

Consumo – A Toyota não revela o consumo e o modelo não conta com computador de bordo. Sem nota.

Tecnologia – O RAV usa uma plataforma de 2006, relativamente recente, conta com um motor eficiente, mas em conjunto com uma transmissão desatualizada. A lista de itens de conforto está dentro do esperado para o segmento, mas a versão 4X2 tem uma lista de equipamentos de segurança mais comedida. Nota 7.

Conforto – O espaço para cabeças e pernas é bastante generoso para todos os ocupantes do crossover. Atrás, até três adultos de compleição física mediana conseguem viajar bem. A suspensão filtra bem as irregularidades da pista enquanto o isolamento acústico veda bem os ruídos mesmo a 120 km/h. Nota 8.

Habitabilidade – Pensado para os Estados Unidos, o RAV não tinha como não oferecer uma vasta quantidade de porta-objetos e porta-copos, todos práticos e espaçosos. O descansa-braço dianteiro ainda esconde um porta-trecos interessante e o modelo conta com porta-luvas duplo. O porta-malas acomoda bons 540 litros e ainda conta com uma prática rede e um ótimo compartimento embaixo do assoalho. Nota 9.

Acabamento – O utilitário esportivo usa materiais bem acabados no interior, mas sem muitos arroubos de requinte e que, de maneira geral, aparentam simplicidade em demasia para um veículo de R$ 92.500. A falta de revestimentos em couro, mesmo para a versão “de entrada” – que tenta se distanciar do top –, é difícil de justificar em um modelo dessa faixa de preço. Os encaixes e fechamentos são precisos. Nota 7.

Design – O novo desenho tem apenas quatro anos, mas o RAV4 parece um SUV coreano dos anos 90. Seus faróis retangulares e a grade bicuda carecem de glamour, e a traseira tem lanternas em forma de folha que lembram o “finado” Mitsubishi Airtrek. O RAV que vai para a Europa é bem mais interessante e só deixa o modelo vendido no Brasil ainda mais datado e defasado. Nota 6.

Custo/beneficio – A Toyota melhorou bem esse quesito com a entrada da nova versão 4X2 por iniciais R$ 92.500. Apesar de estar longe de ser barato, oferece uma lista de itens de série interessante e fica em melhores condições para brigar com os crossovers mexicanos e coreanos. Nota 7.

Total – O RAV4 4X2 somou 66 pontos em 90 possíveis

Primeiras impressões - O asfalto lhe cai bem

<> – Ao entrar no RAV4 logo percebe-se que se está em um veículo pensado para o mercado norte-americano. Há uma infinidade de práticos porta-objetos e porta-copos para acomodar toda a sorte de quinquilharias. Além disso, o modelo oferece conforto de sedã, com generoso espaço para pernas e cabeças e bancos que parecem abraçar o motorista. Ao virar a chave, o crossover médio da Toyota mostra desempenho instigante. O motor responde prontamente ao pedal do acelerador e a marca japonesa fala em uma máxima de 180 km/h, enquanto o zero a 100 km/h é estimado em 11,8 segundos.

A performance só não é melhor por conta do câmbio automático de quatro velocidades. Ele é mal escalonado e estica muito as marchas. Isso mesmo quando se usa o pedal do acelerador com suavidade, sem pisar muito fundo. Além disso, há um buraco entre a terceira e a quarta marchas. Resultado, em situações de retomadas, como em subidas e ultrapassagens, o câmbio do utilitário esportivo tende a ficar indeciso e reduz a todo momento. Para complicar, o motor só enche mesmo próximo dos 4 mil giros, o que retarda ainda mais essas retomadas.Mas o RAV 4 tem uma performance de sedã em outras situações. Sua estrutura em monobloco e o jogo de suspensão muito bem acertado – independente na frente e atrás – contribuem para um comportamento muito equilibrado do utilitário esportivo. Nas sinuosas curvas da região do Pico de Itapeva, na divisa entre os municípios paulistas de Campos do Jordão e Pindamonhangaba, o RAV demonstrou uma excelente rigidez torcional e não fez qualquer menção de desgarrar da pista. Nas retas, a comunicação entre rodas e volante se mostra precisa até os 120 km/h. A visibilidade e a direção elétrica justa e macia ainda favorecem a dirigibilidade.Mas a ergonomia peca em alguns detalhes. E o acabamento de um modelo nessa faixa de preços bem que merecia materiais mais nobres. Nada, porém, que denigra o novo “jeito crossover de ser” do SUV japonês.

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