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Kia Picanto

Novo carro de entrada da marca coreana oferece bom pacote de itens de série, excelente acabamento e preço competitivo

Texto: Gustavo H. Ruffo | Foto: Oswaldo Luiz Palermo - divulgação 30/08/2006
 
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(30-08-2006) - Na apresentação de seu novo carro, o Picanto, a Kia fez questão de esclarecer a origem do nome, do francês piquant, ou picante. Isso poderia dar a idéia de um carro com proposta esportiva, mas o Picanto, com seu motor 1,1-litro, não segue essa linha. Seu aspecto picante se refere mais às oito cores disponíveis, algumas bem fortes e ousadas, ao acabamento, excelente, com ótima construção, e ao preço, bastante competitivo. Por R$ 34,9 mil, o carrinho traz pintura metálica, faróis de neblina, direção hidráulica, vidros, travas e retrovisores elétricos, ar-condicionado, toca-CD com MP3, rodas de liga leve de 14 polegadas (com pneus 165/60) e, por R$ 5.000 a mais, câmbio automático. Tudo isso com garantia de cinco anos. O picante, portanto, diz respeito à concorrência.

Quando alguém se refere ao Picanto como carrinho não é força de expressão. Ele é, realmente, o menor carro à venda no mercado brasileiro, com 3,50 m. Só para comparar, o Ford Ka tem 3,62 m, 12 cm a mais, ainda que os porta-malas de ambos tenham tamanhos próximos: enquanto o do Picanto tem 157 l, o do Ka comporta 186 l. Isso o torna um carrinho urbano por excelência, com a vantagem de contar com quatro portas, opção não disponível para o concorrente feito pela Ford. Longe de ser um problema, o tamanho reduzido é algo desejado por muitas pessoas, que querem um veículo ágil no trânsito e pequeno o suficiente para caber em qualquer vaga.

Outra de suas vantagens em relação aos concorrentes é o motor 1,1-litro. A cilindrada, pouco maior do que a de modelos nacionais, não se reflete em mais potência, pelo contrário: com 64 cv a 5.500 rpm, ele é mais modesto que o Fiat Fire (65 cv com gasolina), que o Volkswagen EA-111 (72 cv, também com o derivado de petróleo) e que o Chevrolet VHC (77 cv, com gasolina, na versão mais potente, usada no Corsa).

A grande sacada é que potência, para quem anda com o carro na cidade, não se reflete em nenhum benefício prático, o que torna esse tipo de argumento uma mera estratégia de marketing. Torque, por sua vez, é de fundamental importância, já que garante respostas mais rápidas e saídas de semáforo mais ágeis, por exemplo. Nesse quesito, o Picanto conta com o motor de maior torque entre seus concorrentes. São 9,9 kgm. Além de o torque máximo ter de ser alto, ele também tem de surgir em baixas rotações. No Picanto, ele aparece a 2.800 rpm. Quem chega mais perto é o EA-111, que apresenta, com álcool, 9,8 kgm, mas a altos 4.300 rpm.

O bom motor seria ainda mais beneficiado se o modelo tivesse peso baixo. E tem. O Picanto pesa 890 kg com câmbio manual e 910 kg com o automático. O WebMotors teve a chance de testar as duas versões, que trazem, como únicas diferenças, o sistema de controle remoto das portas na chave e airbag como exclusividade da versão automática.

O percurso de avaliação, de apenas 4 km, foi de todo modo interessante por trazer curvas em baixa e em alta velocidade, subidas, descidas e retas. Fizeram falta, veja o leitor, as lombadas que normalmente se encontra nas cidades. Isso porque o Picanto é baixo, mas tem uma roda em cada ponta da carroceria. Teoricamente isso pode auxiliá-lo a enfrentar melhor essas vilãs, ainda piores quando são irregulares, mas não foi possível avaliar essa questão no trajeto escolhido pela Kia.

Com entreeixos curto, de apenas 2,37 m, e pouca altura em relação ao solo, o Picanto faz curvas fechadas com facilidade e tem excelente raio de esterço. Quando sai, de frente, ele se porta de maneira exemplar. Quando se ouve o pneu cantar, por exemplo, isso acontece nas quatro rodas, não em uma só, uma demonstração do grande equiilíbrio do coreaninho. Facilita, para isso, a direção hidráulica, com três voltas de batente a batente. O escalonamento de marchas, na versão manual, é preciso: nem curtas demais, fazendo o motor gritar o tempo todo, nem longas em exagero, tirando do carro sua capacidade de resposta e de manutenção da velocidade, especialmente em subidas e com o carro carregado.

Na versão automática, as quatro marchas sentem pouco a falta de mais uma companheira, uma quinta que pudesse ajudar o carro a usar melhor seu motor. Com duas pessoas a bordo, ele sente um pouco mais, até porque a primeira marcha é mais longa (precisa ser). A questão é que esse carro, como todos os outros usados nas cidades, vai andar a maior parte do tempo apenas com seu motorista. Tanto é assim que, em algumas grandes metrópoles, há vias reservadas para carros que circulam com mais de uma pessoa como opção para diminuir o tráfego. Só com o motorista, a versão automática do Picanto deslancha muito bem. Quando se precisa de mais força, basta pisar forte no acelerador e acionar o kick-down para o carrinho ir embora sem dificuldades.

O que mais impressiona no Picanto é seu bom acabamento. Não há rebarbas de plástico e as peças têm um toque agradável, de plásticos de alta qualidade. Também há revestimento de tecido nas portas. Em movimento, não se ouve barulhos de suspensão, aliás, bem comum (McPherson na dianteira e barra de torção na traseira), nem o barulho do motor. Prova de que o torque é fundamental é que o Picanto atinge os 110 km/h a pouco mais de 3.000 rpm (o conta-giros vai até 8.000 rpm). O câmbio, neste caso, não precisou ser exageradamente encurtado para o carro se mover.

Os comandos e a posição de dirigir são muito bons, mesmo para motoristas altos. Por ser um carrinho de teto elevado, o Picanto acomoda bem seus passageiros. Um passageiro de 1,80 m, atrás de um motorista de mesma altura, sentirá um pouco a falta de espaço para as pernas, mas não para a cabeça. Se o motorista for menor, ou vice-versa, todos viajarão sem reclamações ou desconfortos.

Em termos de preços, os R$ 34,9 mil poderiam parecer salgados, mas vejamos a concorrência. Com menos itens de série que o Picanto, o Chevrolet Celta Super 1.0 FlexPower custa R$ 33.703; o Fiat Palio Fire Flex, também sem o mesmo pacote, sai por R$ 32.802; já o VW Fox Plus, com os mesmos itens, é vendido por R$ 45.039.

Nenhum dos três concorrentes oferece câmbio automático como opção, mas todos têm um porta-malas mais generoso, o que deve ser levado em conta por quem precisar de espaço para malas ou tiver o costume de viajar. Nenhum dos nacionais, de todo modo, tem garantia de cinco anos, um alento para quem resiste a comprar carros da Kia. Controlada pelo grupo Gandini, a marca já deu reiteradas demonstrações de que veio para o Brasil para ficar. Vale lembrar que a garantia só continua valendo para quem segue rigorosamente as revisões programadas.

No que se refere a seguro, o Picanto ainda não teve valores cotados, mas a linha Kia, com exceção da Besta, que tem índice de sinistralidade alto, é de menos de 5% do valor total do carro. Para o Picanto, portanto, espere um seguro na casa dos R$ 1.500 a R$ 2.000 reais.

Por essas e outras é que o novo compacto pode preocupar a concorrência. Para a Kia, Picanto nos olhos dos outros será refresco.

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