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08-12-10 | Texto: Rodrigo Ribeiro | Foto: Mário VillaescusaVoltar

Avaliação: Novo Ford Fiesta é bom, bonito, mas não é barato

Sedã compacto agrada quem vê e quem dirige, porém preço elevado pode ser um empecilho ao seu sucesso

(08-12-10) - Durante a avaliação de um novo modelo, ouço diversos comentários a seu respeito. “É lindo”, “eu teria um” e “não tem nada a ver com o anterior” são algumas das frases mais comuns, principalmente quando se trata de uma nova geração, como o novo Ford Fiesta sedã. Vendido somente na versão três volumes e com uma opção de acabamento, o modelo “Vermelho Córdoba” arrancou suspiros de muita gente. Principalmente após ouvirem o preço.

Não é por menos. Apesar de vir de fábrica completo (com airbag duplo, trio elétrico, ar-condicionado e direção elétrica), o “New” Fiesta é oferecido por salgados R$ 49.900, valor que posiciona o sedã compacto próximo dos médios, como Peugeot 307 e Nissan Tiida. Customização também não é algo que a Ford oferece para o modelo. De opcionais, só o ABS (R$ 51.150) e o conjunto de sete airbags mais banco de couro (R$ 54.900). Ah, o motor Sigma de 1,6-litro 16V de até 115 cv (com etanol) só pode ser acoplado a uma transmissão manual de cinco marchas. Mas há um diferencial no novo Fiesta em relação aos seus concorrentes que justifique o preço alto?

Virando pescoços
Felizmente, a resposta é sim. Logo de cara o Fiesta mostra um de seus atributos: o design. Seguindo a nova identidade da Ford, chamada de Kinetic, o novo Fiesta tem um desenho agressivo, com vincos cortando a lateral e linhas “puxando” os grandes faróis dianteiros. A traseira é menos ousada, com um quê de “mini-Mondeo”, mas isso não é um demérito. Harmônico, o desenho provocou algumas dezenas de frases nas pessoas que viram o compacto. Em comum, todas elas foram positivas.

Por dentro o novo Fiesta também se destaca à primeira vista. Idêntico ao usado no conceito Verve, o painel do modelo une ângulos agudos com formatos redondos, como os difusores de ar, circulares nas laterais e retilíneos na parte central. Os comandos do ar-condicionado, incomuns para os padrões nacionais, exigem certo aprendizado no início, mas mostram-se tão práticos quanto o sistema padrão. Botões bem posicionados e volante com regulagem de altura e profundidade revelam um ótimo trabalho da turma de ergonomia da Ford.

Outro diferencial louvável da cabine é seu acabamento, com plásticos emborrachados bem encaixados e peças sem rebarbas visíveis. O parabrisas com isolamento acústico favorece o silêncio a bordo, que, somado à suspensão bem ajustada, deixam o rodar do novo Fiesta com um ar de “carrão.” De negativo, somente o espaço interno traseiro, que é apenas moderado para dois adultos e uma criança. Três adultos vão apertados, mas vale lembrar que este é um sedã compacto, e não médio.

Seguro de parachoque
Não que ele não seja um carrão. Com 4,41 m de comprimento, o novo Fiesta sedã tem porte próximo de um modelo maior. O problema é que seu espírito continua nos compactos, como a ausência dos sensores de estacionamento. E o motorista do Fiesta não deve se preocupar apenas com os parachoques traseiros. Com o ângulo de entrada excessivamente baixo, o Fiesta raspa em praticamente todas as valetas mais profundas encontradas em nas grandes cidades.

Para se ter uma ideia, na íngreme saída de garagem da redação do WebMotors, o Fiesta raspou em uma rampa onde nem o Ford Fusion raspa. Solução prática? Não fique olhando a parte de baixo do parachoque de seu novo Fiesta, ou faça um seguro exclusivo para ele.

É um detalhe um tanto quanto frustrante no novo Fiesta. Isso porque o modelo em nada se assemelha com seu anterior homônimo. Elástico, o motor Sigma fabricado em Taubaté (SP) tem torque (16,2 kgfm a 4.250 rpm com etanol) de sobra, apesar da subida de giro não ser tão linear quanto o Zetec RoCam usado no Fiesta nacional.

O câmbio tem engates precisos, com a quinta marcha bem escalonada, propiciando rotações mais baixas na estrada e favorecendo o consumo. Neste quesito, aliás, o novo Fiesta “não tem nada a ver com o anterior”, como disse um manobrista ao vê-lo. Com o consumo urbano de 8,2 km/l com etanol, o novo Fiesta lentamente se afasta do estigma de que todo flex é beberrão com etanol.

Herança positiva
Porém há um ponto onde o compacto se assemelha – e muito – com o “irmão mais velho”. Com um acerto de suspensão mais esportivo, o novo Fiesta é quase tão divertido de dirigir quanto o velho Fiesta. “Quase” porque a suspensão, um pouco mais macia, privilegia o conforto, enquanto a compulsória versão sedã tira parte do equilíbrio do compacto em curvas. Na ponta do lápis, o modelo se posiciona bem na tênue linha que separa o conforto da estabilidade.

A herança do nome também fez bem ao compacto. Apesar do modelo nacional, que passou por uma polêmica reestilização no início do ano, às vezes ter sido eclipsado pelos best-sellers VW Gol, Fiat Palio e Fiat Uno, ele ainda tem um nome forte. O problema é que “Fiesta” é nome associado a um carro compacto, divertido de dirigir e com custo-benefício acima de seus rivais. E não é o que ocorre com o New Fiesta.

Posicionado no segmento composto pelo até então solitário Honda City, o New Fiesta oferece status, mas não espaço interno. É uma dicotomia que o potencial proprietário do modelo terá que superar. No primeiro ano de lançamento, a decisão é fácil, pois o ar de novidade ajuda a atrair consumidores aos concessionários e o design ousado é um bom argumento para justificar o sobrepreço.

Mas esta é uma demanda de curto prazo que será atendida em pouco tempo. Após isso, a Ford precisará de outros artifícios para justificar porque o New Fiesta custa quase o mesmo do que um sedã médio. Quando este momento chegar, ou a Ford traz mais diferenciais ao mexicano, ou baixa seu preço. Dessa forma, os suspiros de tristeza que ouvi ao dizer quanto o novo Fiesta custa iriam se transformar em largos sorrisos.

Ford Fiesta Sedan 2010
Motor Quatro cilindros em linha, dianteiro, transversal, 16 válvulas, 1596 cm³
Potência 115 cv (etanol) / 110 cv (gasolina) a 5.500 rpm (E) / 6.250 rpm (G)
Torque 159 Nm / 16,2 kgfm (etanol) - 155 Nm / 15,8 kgfm (gasolina) a 4.250 rpm
Câmbio Manual, com cinco marchas
Tração Dianteira
Direção Por pinhão e cremalheira, com assistência elétrica
Rodas Dianteiras e traseiras em aro 15” de liga-leve
Pneus Dianteiros e traseiros 185/60 R15
Comprimento 4,41 m
Altura 1,44 m
Largura 1,69 m
Entre-eixos 2,49 m
Porta-malas 440 l
Peso (em ordem de marcha) 1.162 kg
Tanque 47 l
Suspensão Dianteira independente, tipo McPherson; traseira dependente, tipo barra de torção
Freios Disco ventilado na dianteira e tambor na traseira
Preço R$ 49.900 a R$ 54.900


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