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Avaliação completa: Nissan Grand Livina Automático

Enchemos a minivan com carga e passageiros para testar o fôlego do motor 1,8

Texto: Rodrigo Ribeiro | Foto: Mário Villaescusa 19/08/2010
 
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(19-08-10) - ”É brasileiro?”. A pergunta do manobrista do estacionamento ao trazer o Nissan Grand Livina foi respondida por um adesivo que a fábrica colocou no vidro traseiro. Logo depois, o funcionário levantou outra questão, ao ver que sete pessoas iriam entrar na minivan fabricada em São José dos Pinhais (PR): “Vai caber todo mundo?”

Coube, e ainda sobrou espaço para levar algumas mochilas no porta-malas (são 123 litros com a terceira fileira levantada). A versão alongada do Livina oferece dois bancos extras ou um volume maior para bagagens: 589 litros. Como o melhor jeito de testar um carro familiar é com uma família, o WebMotors encheu a minivan nipo-paranaense e foi para a estrada.

Sem chave
A versão avaliada é a topo de linha SL. Por R$ 69.390, o Grand Livina só tem como opcional a pintura metálica, por R$ 1.050. De série, os itens de praxe para um modelo deste porte (e preço): ar-condicionado digital, trio-elétrico, ABS, airbag duplo e direção hidráulica. Um diferencial bacana do modelo é a chave keyless. Com ela no bolso, basta apertar um botão na maçaneta para destrancar o carro, enquanto a partida do motor é feita girando uma borboleta que fica no lugar da chave. Simples e intuitivo.

Nem tão fácil é achar uma posição para dirigir: o cinto de segurança e o banco do motorista não possuem regulagem de altura – uma grande ausência em um carro que poderá ser guiado tanto por uma mãe quanto por um pai. Para quem não gosta do jeitão “sofá” de ser dos bancos da Grand Livina, com assento mais elevado, isso pode incomodar em longas viagens.

Quem também não vai gostar de enfrentar muitas horas de estrada são os passageiros da terceira fileira de bancos. Pequenos, são adequados somente para crianças. Adultos ficam desconfortáveis, com a cabeça próxima do teto e joelhos roçando nos bancos da frente – por isso, só é recomendável “gente grande” usar os bancos adicionais em trajetos curtos. Nesta situação, o motorista também deve mudar o jeito de dirigir. Por ter um balanço traseiro maior (são 24 cm extras no comprimento), é fácil raspar o assoalho em saídas de estacionamento ou valetas mais profundas com o carro carregado.

Cobertos com couro cinza, os bancos fogem do monopólio do preto sem perder a resistência à sujeira, de suma importância em um modelo deste segmento. Com crianças a bordo, manter alimentos e pés longe dos assentos é tão difícil quanto uma viagem sem a clássica pergunta dos pequenos: “Tá chegando?”.

Sem pressa
Equipada com o mesmo motor 1,8 de até 126 cv de potência (com etanol) já encontrado na Livina e no Tiida, a Grand Livina não faz feio na estrada, mesmo carregada. Por “não fazer feio”, entenda-se que você não verá caminhões te ultrapassando em subidas mais íngremes. As ultrapassagens são possíveis, mas com cautela. O câmbio automático de quatro marchas é um pouco lento para ajudar o quatro-cilindros a empurrar os 1.855 kg do Grand Livina carregado.

O comportamento do Nissan na estrada era esperado: não é uma minivan com pretensões esportivas, e a maioria dos carros sofre quando está com sua carga máxima. O inesperado, porém, foi a ausência de uma entrada USB para o sistema de som e comandos no volante (como no Tiida e Sentra). Em um carro com vocação familiar, ter um som versátil – e com comandos no volante – deveria ser item de série, dado seu preço elevado.

A 120 km/h, o ruído interno é moderado. Além do bom isolamento acústico, o motor gira abaixo dos 3.500 rpm, graças à sobremarcha (overdrive) da transmissão automática. Quietinho na estrada, o motor chama a atenção na hora de abastecer: seu consumo médio de etanol na estrada foi de 7,9 km/l, enquanto na cidade caiu para 5,6 km/l. Ambas as medições foram feitas com o Grand Livina carregado e com ar-condicionado usado em 50% do tempo.

Em curvas, o Grand Livina não assusta. A suspensão macia faz o seu trabalho de segurar a grande carroceria, auxiliada pelas barras estabilizadoras nos dois eixos. Porém, sem controle de estabilidade, o motorista deve ter prudência em estradas sinuosas. A direção com assistência elétrica deixa o volante mais mole do que deveria em altas velocidades, mas é confortável na cidade. Auxiliados pela eletrônica, freios a disco ventilado na dianteira e a tambor na traseira são bem modulados, mas exigem uma maior distância na hora de parar o carro carregado – algo que pode soar óbvio, mas que pouca gente se lembra durante uma emergência na estrada.

Quanto custa?
A última pergunta do manobrista é uma das primeiras de um cliente na concessionária. Em um segmento composto por uma veterana (Chevrolet Zafira, R$ 67.373 na versão automática) e duas estrangeiras (Citroën Grand C4 Picasso, R$ 89.900 e Kia Carens, R$ 69.400), a Nissan Grand Livina procura ganhar a família com pequenos charmes e espaço interno extra.

Ela consegue fazer as duas coisas parcialmente: itens como a chave keyless não são vistos nem em sedãs de luxo, enquanto o espaço adicional para sete pessoas é cada vez mais raro em carros abaixo dos R$ 100 mil. O problema é oferecer adicionais sem contar com o básico, como regulagem de altura do banco e sensor de estacionamento. Além disso, seu acabamento é inferior ao dos concorrentes importados e até de companheiros de loja – Tiida e Sentra possuem o interior mais refinado.

É brasileiro, cabe todo mundo e custa menos que seus similares importados. O Grand Livina responde à muitas questões, mas resta uma: Vale a pena? De todas as perguntas, esta só pode ser solucionada na concessionária.

FICHA TÉCNICA – Nissan Grand Livina SL 1.8 Automática

MOTORQuatro tempos, quatro cilindros em linha, transversal, refrigeração a água, 1798 cm³
POTÊNCIA 126 cv (etanol) / 125 cv (gasolina) a 5.200 rpm
TORQUE 172 Nm – 17,5 kgfm (etanol/gasolina) a 4.800 rpm
CÂMBIOAutomático, com quatro marchas
TRAÇÃO Dianteira
DIREÇÃOPor pinhão e cremalheira, com assistência elétrica
RODAS Dianteiras e traseiras em aro 15” de liga-leve
PNEUS Dianteiros e traseiros 185/65 R15
COMPRIMENTO 4,42 m
ALTURA 1,58 m
LARGURA 1,69 m
ENTREEIXOS 2,60 m
PORTA-MALAS123 l a 964 l
PESO (em ordem de marcha) 1.306 kg
TANQUE50 l
SUSPENSÃO Dianteira independente, tipo McPherson; traseira dependente, tipo barra de torção
FREIOS Disco ventilado na dianteira e tambor na traseira
CORESBege, branco, preto, prata, cinza e vermelho
PREÇOR$ 63.890


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