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Guia de Compras

21-10-11 | Texto: Laner Azevedo/Mídia Motor | Foto: DivulgaçãoVoltar

Guia de Compra – Ford Focus

Leia aqui os melhores conselhos para a compra do Focus

(21-10-11) - O surgimento do Ford Focus (concentração, atenção em inglês) foi uma resposta da marca norte-americana ao avanço da concorrência entre o segmento de carros de médios que se acirrava no início dos anos 90, principalmente na Europa, onde nomes como Volkswagen Golf, Opel Astra, Renault Mégane, entre outros, causavam sérios arranhões na reputação do velho Escort, que, aos 40 anos de idade, apresentava os sinais do tempo a corroer-lhe a imagem.

Para tentar reverter este cenário, a Ford convocou um grupo de engenheiros e projetistas ingleses e alemães para que apresentassem uma solução para este dilema e em março de 1998, o resultado do chamado projeto CW170 foi descortinado durante o Salão de Genebra de 1998. Batizado de Focus, o carro era um hatch com opções de três e cinco portas cujas linhas ousadas demonstravam ter bebido na fonte New Edge, de onde surgira a inspiração para o desenho do Ka, surgido dois anos antes. Os faróis triangulares, os paralamas com arcos prenunciados que se complementavam e as lanternas traseiras posicionadas na coluna C, conferiam um toque de modernidade e simetria ao carro.

Associado ao design estavam soluções tecnológicas que faziam do Focus um carro também muito seguro. Segundo a marca, o carro possuía as maiores distâncias entre-eixos e rigidez estrutural da categoria até então, graças à utilização de chapas de aço com diferentes espessuras (tailored blanks) em sua fabricação, como as empregadas nas colunas centrais para melhor dissipação do esforço em caso de uma capotagem. Outro destaque era a suspensão traseira multibraço. Inspirada na do irmão Modeo, oferecia maior conforto, isolamento de vibrações (estava apoiada em um subchassi) e melhor comportamento dinâmico, em contar o fato de ser 30% mais barata que as de concorrentes devido ao fato de usar componentes de aço estampado em vez de fundido. Mas para encontrar o melhor acerto para o Focus, este sistema contou com colaboração da dupla Richard Parry-Jones, vice-presidente mundial de desenvolvimento de produtos da Ford, além do tricampeão mundial de Fórmula 1, Jackie Stewart.

Seis meses depois desta primeira aparição, surgiam no Salão de Paris o sedã de quatro portas e a station wagon de cinco. A ideia inicial era a de que o Focus fosse o novo “carro mundial” da Ford, pois de acordo com o projetista-chefe da marca, John Doughty, só haveria componentes específicos para cada país apenas por razões de legislação, entretanto, por questões específicas do mercado norte-americano, essa possibilidade deixou de ser viável em 2005, quando o Focus vendido naquele país passou a ficar cada vez mais distante do vendido na Europa.

Sangue quenteembora os primeiros estudos para uma versão esportiva do Focus tenham começado a surgir em 1999 com o Cosworth, o primeiro Focus mais apimentado só veio aparecer quatro anos após o seu surgimento, quando então, a marca apresentou no Salão de Birmigham de 2000, o Focus RS. O carro contava com para-lamas mais largos, para-choques dianteiros com tomadas de ar, rodas OZ de 18 polegadas, pneus 225/40 e motor 2.0 16V equipado com turbo compressor que prometia gerar 200 cv de potência. Apesar da expectativa gerada por todos estes predicados, o carro só veio a ganhar as ruas em outubro de 2002, quando então, o carro já sofria seu primeiro facelift.

Este novo Focus trazia faróis de duplo refletor com os piscas embutidos e xenôn para as versões top, para-choques com faixa refletora, ar condicionado automático, teto solar com comando elétrico, banco dianteiro do passageiro com possibilidade de rebatimento e navegador GPS integrado ao sistema de som. Junto com esta leva a Ford também trouxe mais uma versão de sangue quente do Focus, batizada de ST 170, equipada com motor Zetec E 2.0 16V. Equipado com comandos de válvulas, coletores de admissão e aspiração variáveis e taxa de compressão mais alta, o motor deste Focus alcançava os 7.350 rpm, o suficiente para produzia 170 cv de potência e torque de 20 kgf.m; ele ia de 0 a 100 km/h em 8,2 segundos e atingia 216 km/h de final. Quando de fato chegou ao mercado, o Focus RS desenvolvia 215 cv e 31,6 kgf.m de torque, o que fazia com que saísse da imobilidade aos 100 km/h em 6,3 segundos e alcançasse os 232 km/h. Para aguentar o tranco, algumas peças passaram por tratamento especial, como os pistões e bielas que foram forjados, as válvulas de escape eram refrigeradas por sódio e o turbo Garret contava com resfriador de ar. Além disso, diferencial bloqueante, e discos Brembo de 325 mm na dianteira foram instalados. Desde que entrou em produção até novembro de 2003, apenas 4.501 unidades da versão RS saíram da fábrica alemã de Saarlouis, todas pintadas de Azul Imperial, tornando-se, assim, objeto de desejo dos apreciadores dos carros esportivos na Europa.

Segunda geraçãoO que seria a segunda geração do Focus veio à tona durante o Salão de Pequim de 2004. Resultado do projeto batizado de C307, o carro era apresentado nesta ocasião como um sedã em versões de três e cinco portas; no Salão de Paris, em setembro, a Ford também mostrava a versão perua. Nas ruas mesmo, o carro apareceu em novembro daquele ano, maior, mais largo e com maior entre-eixos que o anterior, mas os consumidores reclamaram que o carro perdera um pouco da sua identidade. Agora a grade frontal maior ajudava a fazer com que os faróis perdessem seu formato triangular original, mas os para-lamas traziam arcos mais acentuados e as lanternas traseiras permaneciam altas na versão hatch back. As críticas também se referiam ao interior, que também teria sido descaracterizado, mas por outro lado, recebeu materiais de melhor qualidade, ar condicionado bizone, acionamento do motor por botão (a chave tinha sensor de presença) e sistemas de áudio e navegação por toque (touch screen). Nele também estreava o motor Duratec HE, cujos destaques eram o bloco em alumínio e o comando de válvulas variável. 2.0 16V, entregava 145 cv de potência e torque de 18,9 kgf.m. Já o Zetec SE também passava a se chamar Duratec: na versão 1.4 desenvolvia para 80 cv e 12,6 kgf.m e o 1.6 também melhorava e agora entregava 115 cv e 15,8 kgfm.

Três anos depois de aposentar o Focus RS, em 2006 a Ford mostrava ao consumidor europeu uma nova versão ST. Equipada com motor Volvo de cinco cilindros em linha, 2.5 litros, turbo, resfriador de ar, e comandos de admissão e escapamentos variáveis, desenvolvia 225 cv e 32,6 kgf.m de torque, o que o deixava muito próximo de seu precursor de pintura azul. Quanto ao chassi, esta versão trazia monobloco mais rígido graças a uma barra de amarração na suspensão dianteira, suspensão 15 mm mais baixa e nova calibração de amortecedores e estabilizadores.

Geração flex fuelFoi no Salão de Frankfurt de 2007 que aquela que pode ser considerada a terceira geração do Focus foi apresentada. Embora tivesse sido mantido o teto do carro de 2004, agora todos os outros painéis haviam sofrido alteração e o carro, de fato, agora voltava a apresentar a identidade reclamada pelos consumidores. Na frente, novos faróis de desenho assimétrico conferiam um ar fluido, além de uma nova grade dividida em duas sessões, com a inferior bastante ampla. Nas laterais, a linha de cintura do carro se acentuara, enquanto que o interior do carro trazia apenas algumas modificações. Os faróis com lâmpadas de xenônio agora tinham fachos para luz alta e baixa e o motor turbo diesel de 136 cv contava com caixa de transmissão automatizada Powershift de seis marchas e dupla embreagem. Além desta motorização, havia também a opção do 1.8 flexível (gasolina e E85, um tipo de etanol) de 125 e o 1.6 turbo diesel de 109 cv.

E foi em julho de 2008 que a Ford apresentou, finalmente, o novo Focus RS. Utilizando o mesmo motor Volvo empregado no ST de 2006, trazia agora mais pressão no turbo, além de novos cabeçote, comandos de válvula e sistemas de admissão e escape, que faziam com que agora, o carro atingisse nada menos que 300 cv e 41,6 kgf.m de torque. Embora não contasse com a tração integral, para segurá-lo no chão o carro contava com diferencial bloqueante Quaife, suspensão dianteira RevoKnuckle, rodas 19 polegadas calçadas com pneus 235/25 e bitolas 40 mm mais largas. Para-lamas mais largos, bancos Recaro de corrida, saídas de ar no capô e para-lamas dianteiros e aerofólio traseiro alto na cor preta compõem o estilo racing da carro. Como uma espécie de homenagem ao Escort RS 1600, a Ford escolhera a cor verde para pintar o novo RS.

No BrasilOs motivos que trouxeram o Focus para cá foram os mesmos que levaram a Ford a se mexer no mercado europeu: a concorrência dos novos modelos que por aqui chegavam para brigar com o Escort, ampliada ainda mais graças à abertura às importações iniciada em 1994. Com isso, em outubro de 2000 desembarcavam por aqui as primeiras unidades vindas da planta portenha de General Pacheco. Dois anos após o lançamento na Europa o Focus aqui era o mesmo que havia por lá, tirando algumas alterações para nossas condições, como suspensão 10 mm mais alta a adoção de batente hidráulico nos amortecedores.

Aqui chegaram quatro opções: dois hatches e dois sedãs. Entre os primeiros, o básico com motor 1.8 de 115 cv e 16,1 kgf.m de torque e o Ghia, com motor 2.0 de 130 cv e 17,9 kgf.m de torque. Os sedãs vinham somente com o motor 2.0 e a diferença entre o básico e o Ghia se dava nos detalhes de acabamento, como faróis de neblina e rodas de liga leve de 15 polegadas, que também podiam equipar o básico, mas mediante acréscimo no valor do carro. Freios ABS e air bag eram de série no Ghia mas também podiam ser optados no básico. De exclusivo mesmo no Ghia, teto solar de acionamento manual, ajuste elétrico do banco do motorista, computador de bordo, controles de som junto ao volante e decoração cinza no painel.

Apesar de ambos usarem câmbio de cinco velocidades, o Focus com motor 1.8 utilizava uma caixa nacional fabricada em Taubaté (SP), enquanto que o 2.0 usava caixa argentina com marcha à ré sincronizada.

Durante o Salão do Automóvel de 2002, a Ford apresentou o Focus XR. Fabricado apenas em cima da versão hatch, trazia rodas de 16 polegadas calçadas com pneus 205/50, motor 2.0, suspensão 10 mm mais baixa, amortecedores mais firmes, escapamento esportivo, teto solar e bancos com tecido exclusivo que trazia a logomarca gravada. Com apenas 126 cv, não trazia air bag e nem ABS e deste modelo, apenas 360 unidades foram fabricadas, todas na cor prata.

Em 2004 a Ford do Brasil apresentou as mudanças que o carro sofrera dois anos antes na Europa e na busca de manter seu preço, substituiu o motor inglês Zetec 1.8 16V pelo nacional Zetec Rocam 1.6 e oito válvulas, que já vinha sendo utilizado nos irmãos Fiesta, Ka, Courier e Escort. No Focus este motor rendeu 103 cv e 14,6 kgf.m e no uso cotidiano não apresentou grande defasagem em face ao anterior. O motor 2.0 16V contiuou, por outro lado, a equipar as versões GLX e Ghia, tanto do hatch como do sedã, mas não por muito tempo, já que o Duratec 2.0 16V, importado do México para equipar a EcoSport desde 2003, a partir de junho de 2005 passou a ser utilizado também no Focus.

Quatro anos depoisApesar da concorrência no segmento de carros médios ter se acentuado no Brasil, a Ford relutou em trazer a terceira – ou segunda – geração do veículo ao Brasil e parecia não estar muito entusiasmada com o desempenho de vendas do carro por aqui. Depois de ganhar as ruas da Europa em 2004, esta versão só passou a ser produzida na Argentina em 2008, quando então, vieram para cá. Tanto o sedã como o hatch chegavam nas versões GLX e Ghia, ambas equipadas com o motor Duratec HE 2.0 16V a gasolina. Pouco depois, surgiam as versões GL e GLX que seriam equipadas com o motor Sigma 1.6 Flex, fabricado com grande emprego de alumínio. Rodando na gasolina desenvolvia 109,3 cv e torque de 11,3 kgf.m, enquanto que no álcool estes números subiam para 115,6 cv e 16,3 kgfm.

Agora uma nova geração do carro já começa a ter suas primeiras imagens divulgadas na internet. De acordo com informações veiculadas, espera-se que esta nova versão do carro chegue por aqui em 2013.

Fique atento - Mas o que prestar atenção quando o objetivo for comprar um Ford Focus usado? De acordo com Fabio Filtrin, nosso consultor mecânico da Nivaldo Motores, este é um carro que não costuma dar dor de cabeça aos seus proprietários, já que poucos são os problemas que ocorrem com ele. “Geralmente o que costumamos encontrar nestes carros, principalmente nos mais antigos, é o problema da acidez do líquido de arrefecimento”, explica. “O problema acontece porque as pessoas não se acostumam a fazer uma troca periódica deste líquido, colocando apenas água pura quando o nível começa a baixar. Aí, sem a proteção do aditivo, a água vai corroendo as câmaras internamente e gerando um resíduo que acaba danificando o sistema de resfriamento do motor. Como o carro é importado da Argentina, as peças não costumam ser muito baratas”, avisa.

“Mas em linhas gerais, o carro é muito bom, estável, confortável oferece bom espaço interno e tanto o motor como as suspensões oferecem boa durabilidade”, finaliza.

Ainda no que tange à peças, o Focus 2005 1.6 não conta com a possibilidade de reparo do alternador, por exemplo. Ou seja, se der defeito, só trocando toda a peça e aí o conserto pode alcançar, só com a peça, mais de mil reais na concessionária.

RecallA Ford já realizou algumas convocações de proprietários do Focus para a realização de recall. Veja a relação:
- 07/03/2003: Substituição do cinto de segurança do motorista nos Focus equipados com air bag. Ressaltava não haver risco de rompimento, apenas o curso do deslocamento era maior que o permitido.
- 03/04/2006: Troca da válvula do tubo de vácuo do servo-freio para veículos 2004 e 2005. Ressaltava não haver risco de perda total da frenagem, mas sim, maior esforço do pé contra o pedal.
- 08/04/2009: Substituição do cabo de controle da velocidade nos Focus 2005 a 2008 equipados com piloto automático e motor 2.0. Poderia ocorrer o travamento do pedal do acelerador na condição de máxima aceleração.
- 23/07/2010: Falha na vedação de um lote do reservatório do sistema de partida a frio para veículos equipados com motor 1.6 ano 2010. Poderia causar, em situações extremas, dificuldade de acionamento do motor em dias frios.
Portanto, se estiver comprando um Focus, cheque no manual do proprietário se o antigo proprietário atendeu a estes chamados. Em caso de dúvidas, o serviço de atendimento ao consumidor da marca oferece o número 0800-703-3673.

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