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Direção Sustentável

24-03-09 | Texto: Jornal Oficina Brasil | Foto: DivulgaçãoVoltar

Da Oficina: Fiat Marea

Modelo exige que manutenção preventiva seja aplicada à risca

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(24-03-09) – O Fiat Marea foi lançado no Brasil em 1998 já como modelo 1999, sendo que as primeiras unidades eram importadas da Itália. Por lá, o veículo foi comercializado entre 1998 e 2002.

Inicialmente foi vendido no Brasil com o motor Fivetech de cinco cilindros e 20 válvulas, com 127 cv na versão SX* e 142 cv (ELX e HLX). Outra opção era a motorização turbo de 182cv (emprestada do Fiat Coupé Turbo Italiano, originalmente com 220 cv).

A partir do modelo 2001, a Fiat inseriu um novo propulsor de 2.4 litros aspirado e 160 cv, originado do Lancia Thesis Italiano, no lugar do 2.0, 20 válvulas aspirado, privilegiando torque em baixas rotações, graças a um novo sistema de admissão variável e também à tecnologia do acelerador eletrônico (Drive By Wire). Este propulsor já trazia soluções tecnológicas para o mercado brasileiro, como por exemplo, o diâmetro do pescador de óleo maior, a fim de oferecer superior poder se sucção e volume de óleo as partes móveis.

A partir do modelo 2002, o Fiat Marea recebeu uma atualização estética com mudanças na grade frontal e principalmente na traseira, com novo desenho e as lanternas do Lancia Lybra. Aliás, estas lanternas eliminaram de vez o problema de infiltração de água, muito comum nas antigas traseiras esquerdas.

No segundo semestre de 2005, a Fiat lançou um novo pacote de mudanças, entre as quais alteração na grade frontal, faróis com máscara cromada, lanternas traseiras com detalhe fumê e novo posicionamento dos logotipos do veículo. Além da introdução da motorização 1.6 16v 4 cilindros com 106 cv, vinda da Argentina e herdada da linha Palio. Também foi inserido como inovação o sistema Connect, que permite ao motorista falar ao telefone celular enquanto dirige, utilizando o sistema de som do próprio veículo e um celular com tecnologia Bluetooth.

O Fiat Marea geralmente é bem avaliado por seus proprietários em razão de sua performance e conforto.

O sistema de coletor de admissão variável, comando de válvulas variável, injeção sequencial, air bags progressivos, eletro ventilador sequencial e outros detalhes, apesar de disponíveis desde 1998 no Fiat Marea, ainda são novidades para grande parte da frota de automóveis nacionais, e fazem dele um veículo diferenciado e requintado tecnologicamente.

Logicamente essa sofisticação tem seu preço e logo nos recordamos de um dos jargões do mundo da reparação, que o define como o típico veículo que "o rico não quer mais" e o "pobre não aguenta manter".

Pois bem, amigos, nosso papel é contribuir para a reversão deste fato, uma vez que a ida a um concessionário Fiat já não faz mais parte da rotina dos Mareas espalhados pelo Brasil.

Alerta

Antes de citarmos os parâmetros e dicas desta avaliação, é importante chamar a atenção para o seguinte fato: ao receber um Fiat Marea em sua oficina é de suma importância questionar o proprietário sobre o histórico do veículo. Por se tratar de um modelo que requer especial atenção no momento da reparação e possuidor de diversas particularidades, vale a pena investir alguns minutos em um bate-papo descritivo sobre o passado da manutenção.

Com as informações do cliente, o reparador poderá se nortear sobre o rumo da revisão, mesmo que o cliente solicite um simples reparo nos freios, por exemplo. A abordagem deverá ser bem explicativa e de claro entendimento, pois o objetivo não é de "empurrar" serviços, mas sim garantir que o Marea em questão sobreviva saudável por longos anos. Exemplo vivo deste parágrafo é o do veículo avaliado. Ele deveria passar apenas por uma revisão de rotina, com algumas intervenções corretivas, mas no final houve inclusive a necessidade de uma nova retífica no motor.

O modelo recebeu média 6,2 do conselho editorial e foi recomendado apenas por um dos seis colaboradores.

Check-list

Nesta edição nos baseamos no Check-List da Agenda do Carro, para o início de diagnóstico. Com esta mudança as vantagens foram visíveis. Podemos citar a maior agilidade e diminuição do tempo de inspeção primária, devido à sequência e estrutura do documento criado pelo Webmotors e Oficina Brasil. Ele está disponível gratuitamente para download em nosso site. Basta acessar o endereço: www.agendadocarro.com.br


Motor

Visualmente constatamos que havia um grande vazamento de óleo. Na parte superior a tampa de válvulas possuía uma trinca (devido ao aperto excessivo) e juntas avariadas (inclusive as que envolvem as velas). As cinco velas estavam submersas em óleo de motor, proveniente do vazamento da junta. Veja no site do jornal Oficina Brasil a tabela de torques de aperto dos componentes do motor, cedida pelo CDI (Centro de Documentação e Informação) do Sindirepa-SP.

É recomendada a limpeza em banho químico sempre que remover a tampa de válvulas, pois a montagem é feita em duas etapas e a chapa interna (fixada por rebites) impede que sejam removidas as impurezas acumuladas, como borra de óleo.

Ao erguer o veículo notamos mais óleo. O vazamento era proveniente também da união entre cárter e bloco de motor. Ao ser removido, o pescador estava repleto de rebarbas de cola, utilizada em excesso pela retífica que fez o motor anteriormente. Descobrimos que o motor foi feito devido ao código Fiat CL 154 SW 401, impresso na bronzina de biela, sobre medida 0,25.

A cola usada pela retífica era excessiva e não cumpria o papel de proporcionar estanqueidade.

O cárter havia sido soldado, o que é muito comum neste modelo devido à posição do suporte estrutural central, que fica a poucos centímetros do chão. Mesmo com o protetor de cárter, a avaria é constatada com frequência.

Como a luz de advertência do óleo estava piscando no painel após o motor estar devidamente aquecido e na marcha lenta, foi efetuado o teste de pressão da bomba de óleo, que estava abaixo do ideal. Antes de o manômetro atingir 2 bar de pressão, a válvula de alívio de pressão se abria, indicando final de vida útil. Foram testados também os injetores de óleo localizados abaixo do pistão (pulverizadores). Basta um leve jato de ar para saber se há restrição à passagem ou não. Quatro dos cinco injetores estavam sem função, travados na posição aberta.

As bronzinas de mancal e biela precisaram ser trocadas, pois apresentaram sulcos devido à baixa pressão de óleo no sistema. Ao remover a árvore de manivelas, notamos que havia desgaste acentuado em suas laterais, provando que os mancais estavam desalinhados. O conjunto bloco, mancais e árvore de manivelas fora enviado à retífica para enxerto e alinhamento. O cabeçote apresentou calosidades em dois alojamentos de tuchos, ocasionando resistência na abertura das válvulas. A retífica também foi necessária.

O óleo recomendado pela Fiat é o SELENIA SAE 20W50 SJ de base mineral e sintética (semi-sintético). Apesar do vazamento aparente, o motor estava bem limpo internamente, livre de borras. Afirma o proprietário do veículo que as trocas são efetuadas no máximo com 5.000km rodados (óleo e filtro).

Segundo o manual de reparação da Fiat, o prazo de troca do óleo de motor e filtro é 20.000 km. Ao considerar as condições do combustível brasileiro, temperatura ambiente (elevada em comparação a européia, trânsito intenso nos grandes centros), entre outros fatores variáveis, é provável que a borra de óleo surja com certeza se respeitado este prazo. Isso foi confirmado em outros modelos que já passaram pela oficina dos nossos conselheiros. Oriente o seu cliente a trocar preventivamente o óleo e filtro aos 5.000km, a fim de garantir vida longa ao motor 5 cilindros.

Após a manutenção de todo o sistema de lubrificação, incluindo a limpeza do pescador e reparos do motor, a luz de advertência de pressão do óleo (localizada no painel) não acendeu mais na marcha lenta com o motor aquecido. Este problema foi informado pelo proprietário do veículo antes da revisão.

Os coxins superiores do motor estavam quebrados, ocasionando um dos ruídos reclamados. Ambos foram substituídos. A Fiat recomenda a remoção do motor para este reparo, porém é possível substituí-lo apenas elevando-o de acordo com o nosso conselho. É recomendado também que sejam aplicados coxins originais Fiat, para maior durabilidade. Os demais pontos de fixação do motor estavam em perfeito estado.

As velas também estavam em perfeito estado, pois haviam sido substituídas 5.000 km antes da revisão. A coloração escura dos eletrodos indicou excesso de combustível, explicada nos próximos parágrafos. Segundo o manual de manutenção da Fiat, os códigos corretos são: NGK BKR6EKC (fixa, sem regulagem) e BOSCH 0.221.504.006. Para a vela BOSCH a Fiat não informa o valor de abertura dos eletrodos.

Ao detectar dificuldade na partida, o cabo positivo que vai da bateria ao motor de arranque poderá apresentar alta resistência. Neste caso troque o cabo por um novo.

O filtro de ar também estava em perfeito estado, pois havia sido trocado juntamente com as velas.

Ao efetuar a análise dos gases, percebemos que os índices estavam dentro do exigido pela inspeção técnica veicular, porém altas para o modelo do veículo. Vide Box Parâmetros.

O sensor de temperatura do ar estava interpretando valores incorretos (variando de – 16°C a – 31°C). Foram realizados os testes de continuidade dos fios e descobrimos que o conector estava em mau estado. Em conseqüência da leitura incorreta da temperatura do ar admitido, a mistura não estava perfeita, devido o módulo ter este parâmetro a menos. Fizemos a substituição do conector e os parâmetros se normalizaram, ficando entre 70°C a 75°C. A sonda lambda também estava travada, não oferecendo valores variáveis. Após a troca, os valores apresentados foram 98 a 852mv (milivolts).

As unidades injetoras não apresentaram entupimento ou impurezas em seus orifícios.

ArrefecimentoO veículo possuía marcas de vazamento antigo em todas as mangueiras do sistema de arrefecimento, prova que o motor sofreu com superaquecimento. A tubulação do ar quente que sai do meio do cabeçote em direção ao radiador do painel estava furada e corroída. Esta peça custa mais de R$ 800 na rede autorizada. Em locais especializados em reparos de radiadores é possível consertar a tubulação a 1/5 do preço da peça nova.

A Fiat recomenda o uso do aditivo Paraflu especificação ECOTECH na proporção 30% aditivo e 70% água pura (desmineralizada). Este aditivo possui fórmula à base de glicol monoetilênico inibido.

O veículo avaliado demonstrou incompatibilidade entre a temperatura do motor e temperatura aferida no painel. Com o auxílio do scanner, foi realizado o teste de aquecimento. Desconectamos o plug do sensor de temperatura do radiador (cebolão) e com o motor em funcionamento deixamos chegar ao pico de 115° C. O ponteiro do painel acusou então, temperatura abaixo da metade da escala. A 115° C de temperatura no motor o ponteiro deveria acusar a área vermelha da escala do painel. Foi trocado o sensor de temperatura e o cebolão do radiador (este segundo preventivamente) e o problema foi solucionado.

Os Mareas 2.0 20v possuem o sensor de temperatura do radiador (cebolão). Já os modelos equipados com o motor 2.4 20v possuem o acionamento da ventoinha através do módulo.

O radiador oferece um pino de dreno na caixa superior para eliminação de bolhas de ar no sistema de arrefecimento. É de suma importância a sangria através dele também.

A válvula termostática tinha funcionamento perfeito. Segundo o conselho, a melhor escolha é a válvula original Fiat, fabricada na Itália. A tampa do reservatório de expansão também estava funcionando perfeitamente.

Transmissão

Ao remover o semi-eixo (para ter acesso à retirada do cárter), não houve saída de óleo da caixa de marchas. Logo o nível estava bem abaixo do ideal em função de um vazamento na união de sua carcaça, pois a altura da saída do semi-eixo fica abaixo do bujão de abastecimento e verificação do nível.

As engrenagens e rolamentos não foram danificados, mas seriam em breve, caso a reparação não fosse efetuada. O óleo da caixa de marchas especificado pela Fiat é o Tutela ZC 75 FF. A viscosidade é SAE. A embreagem estava com o funcionamento perfeito, oferecendo boa condução e troca de marchas.

Suspensão

Segundo o conselho editorial, a suspensão do Marea é fraca, demonstrando acentuado desgaste na maioria dos modelos, independente da quilometragem rodada. Comentar sobre estado da suspensão é algo delicado e pessoal devido à durabilidade ser diretamente proporcional às condições do piso e forma de condução do motorista. Exemplo disso foi o veículo avaliado.

O estado geral da suspensão foi aprovado, exceto os batentes internos da haste (PU) que apresentaram desgaste, porém sem a necessidade de troca. Nenhum amortecedor apresentou vazamento e a situação das buchas, batentes superiores e bieletas foram satisfatórios.

Os pneus estavam com desgaste acentuado nas bordas (partes externas), devido à utilização com calibragem abaixo do ideal. A suspensão empregada no Marea é a mesma do Tipo.

Sistema de escapamento

O sistema de escapamento apresentou funcionamento perfeito. Apenas os coxins de sustentação estavam desgastados, permitindo o deslocamento para baixo. Eles foram substituídos por novos e a fixação ficou perfeita.

Freios

O chicote do indicador de desgaste da pastilha de freio dianteira estava cortado e inoperante. É comum encontrar este chicote em tais condições. É um item de difícil reparação, pois não é encontrado no mercado um kit de reposição.

As pastilhas e discos dianteiros estavam com meia vida e na próxima revisão serão trocados, assim como o fluido de freio. O conjunto traseiro também estava em condições satisfatórias.

O modelo avaliado não possuía ABS. Mesmo assim, o sistema mostrou-se bem equilibrado e eficiente.

Habitáculo

Comandos como ventilação, vidros elétricos, regulagem dos bancos, buzina, entre outros, apresentaram perfeito funcionamento. Segundo o proprietário do veículo, certa vez o botão do vidro elétrico do lado do passageiro quebrou. Ele encontrou o botão separado, no mercado independente.

Não foi sentido nenhum odor (do sistema de ventilação ou até mesmo de combustível).

Índice de durabilidade e Recomendação

O Fiat Marea foi avaliado como um veículo que apresenta manutenção difícil, delicada e criteriosa pelo conselho editorial do jornal Oficina Brasil, com nota média 6,2 em escala de zero a 10. Na avaliação, são observados os seguintes itens:

1) Tempo de serviço – facilidade de acesso aos principais sistemas (motor e câmbio, suspensão, direção, freios e parte elétrica).
2) Disponibilidade de peças no mercado de reposição (concessionárias e lojas de autopeças).
3) Custo de peças (concessionárias e lojas de autopeças).4) Durabilidade dos componentes.
5) Nível de tecnologia.


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