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04-08-09 | Texto: Jornal Oficina Brasil/Alexandre Akashi | Foto: Oficina BrasilVoltar

Comparativo: Citroën C4 X Ford Focus

Comparamos os modelos hatch com motorização 2-litros de 16 válvulas; o propulsor é bom, mas a transmissão é de matar!

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(04-08-09) - Em março, a Citroën apresentou ao mercado brasileiro o C4 Hatch, com duas versões de motor (1,6-litro e 2-litros, ambos bicombustíveis), e duas versões de câmbio (manual e automático). De lá pra cá tem incomodado a concorrência, ao oferecer uma boa dose de tecnologia, aliada a propulsores bem calibrados.

Um dos concorrentes diretos que tem sofrido com isso é o Ford Focus que, apesar da renovação apresentada no final do ano passado, peca ao não oferecer ao consumidor o sistema bicombustível para os modelos com motor 2-litros. Não é falta de tecnologia, pois há uma versão 2-litros flex do Ecosport. Além disso, a Ford decidiu pela estratégia de manter a versão antiga com propulsor 1,6-litro, este sim flex.

Na soma de vendas das versões disponíveis, o Focus Hatch encerrou a primeira quinzena de junho na 32ª colocação entre os mais vendidos, com 602 unidades, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). No mesmo período, o C4 Hatch atingiu a 34ª posição, com 537 veículos emplacados.

Ao analisarmos a evolução das vendas, percebemos que o Citroën ganha terreno sobre o Ford. Em maio, o Focus fechou o mês na 31ª colocação, com 1.156 unidades comercializadas, enquanto o C4 ficou na 37ª posição, com 915 veículos emplacados. Um mês antes, em abril, essa diferença era maior, de 10 colocações. O Focus era o 30º carro mais vendido, com 1.170 unidades, enquanto o C4 era o 40º, com 676.

Afinal, o que o C4 tem que não pára de crescer no ranking em relação ao Focus? Preço? Design? Tecnologia? Custo de manutenção? Para desvendar esse mistério, comparamos as versões topo de linha dos dois modelos, ambos com câmbio automático, componente que demonstrou ser o ponto fraco dos veículos que oferecem boa quantidade de eletrônica embarcada e conforto.

Preço e consumo

Nas versões mais bem acabadas, o Focus leva vantagem no quesito preço. O modelo Ghia Automático sai por R$ 67.559, contra R$ 73.437 do C4 Executive Automático, de acordo com a tabela Fipe. No entanto, o C4 tem a conveniência do motor flex, que gera uma boa economia em cidades como São Paulo, onde o litro do álcool combustível custa menos da metade do litro da gasolina. Porém, quando se abastece com gasolina, Focus demonstrou ser mais econômico.

Durante a semana de teste, o consumo médio foi de 9,8 km/l de gasolina, em percursos formados por 80% de trânsito livre e 20% de trânsito congestionado. Já o C4, quando abastecido só com álcool, apresentou consumo médio de 6,5 km/l nas mesmas condições de tráfego.

Uma regra que já ficou popular estabelece que o carro flex, quando abastecido só com álcool, roda 30% menos do que com gasolina. Esta é uma recomendação feita por diversas montadoras e fabricantes de sistemas bicombustíveis. Tomando isso como base, ao aplicarmos a fórmula nos resultados medidos, constatamos que ao abastecermos o C4 com gasolina o consumo médio dele será de aproximadamente 8,45 km/l.

Mas, voltando ao comparativo de preço, percebemos que o Focus 1,6-litro flex leva grande vantagem em relação ao C4 1,6-litro flex, com uma diferença de mais de R$ 12 mil. Na tabela Fipe, o Ford é cotado a R$ 43.138, enquanto o Citroën parte de R$ 55.380. Porém, devemos levar em consideração que o Focus 1,6-litro flex ainda é o modelo antigo.

Apesar disso, o novo Focus 2-litros 16v mecânico está cotado em R$ 53.866, cerca de R$ 1.500 mais em conta do que o C4 1,6-litro. Em comparação com o C4 2-litros flex, a diferença sobe para mais de R$ 4 mil.

A tabela mostra, portanto, que no quesito preço o Ford Focus leva vantagem, independente da versão. Então, porque apresenta curva de vendas decrescente enquanto a do C4 é crescente?

Opinião do especialista

“O motor do Focus mostra-se mais a vontade quando submetido a regimes moderados de uso aliado a uma temperatura ambiente amena, pois quando exigido próximo ao limite, apresentou perda de rendimento. Em contrapartida, o motor do C4 mostrou-se mais estável quando utilizado em situações extremas. Os gráficos acima demonstram isso. A cada ‘puxada’, o Focus perdeu rendimento, enquanto o C4 manteve-se constante”

Medições da potência real

Já vimos que o preço não é fator decisivo para o consumidor escolher entre o Citroën C4 e o Ford Focus. Assim, passamos a analisar os itens tecnológicos que ambos oferecem, para tentar responder a pergunta acima.

Tanto o motor Zetec Rocam 1,6-litro flex quanto o Duratec 2-litros do Ford Focus são velhos conhecidos do reparador. O primeiro equipa desde o Ford Ka até o Ecosport, sem esquecer da linha Fiesta. Já o Duratec 2-litros é utilizado na versão antiga do Focus, desde 2005, e também no Ecosport.

A versão testada possuía motor Duratec 2-litros 16v, que desenvolve 145,5cv de potência a 6.000 rpm, com torque máximo de 185 Nm a 4.500rpm, e cambio automático de quatro velocidades. No teste do dinamômetro de rolo, realizado na oficina Esther Turbos, no bairro da Vila Carrão, em São Paulo, os números chegaram próximos aos divulgados pela marca, porém, em uma sequência de três ‘puxadas’, percebemos uma fraqueza do motor, que superaqueceu e chegou a parar de funcionar, pois entrou em módulo de segurança.

Pelo gráfico comparativo das três puxadas podemos acompanhar a queda de desempenho, que apresentou certa linearidade, pois na primeira tomada, medimos 144,3cv a 5.762rpm, e 194,6 Nm a 4.331rpm. Na segunda, a potência caiu quatro cavalos-vapor e, na terceira, mais quatro, enquanto o torque apresentou diferenças dentro de um valor aceitável.

Com o Citroën C4 foi diferente. O motor EW10A, o mesmo que equipa o C4 Pallas, apresentou boa calibragem. Nas três puxadas, o resultado foi o mesmo: 149,2 cv a 5.805 rpm e 200,9 Nm a 4.616 rpm. Números bem próximos do divulgados pela montadora (151 cv a 6.000 rpm e 212 Nm a 4.000 rpm, quando abastecido com álcool).

Os dois veículos são equipados com sistemas que permitem variar a quantidade de ar admitido na câmara de combustão, de acordo com a necessidade. Vale ressaltar que no Ford, o comando de válvulas é acionado por corrente, enquanto o C4 utiliza correia sincronizadora. A principal vantagem da corrente e a durabilidade.

Transmissão

No quesito caixa de câmbio, encontramos o ponto mais fraco de ambos veículos testados, que possuíam transmissão automática de quatro velocidades e, por conta disso, a relação de marchas ficou muito longa, exigindo mais do motor, principalmente nas retomadas. A crítica aqui é, portanto, geral.

Segundo o conselheiro do jornal Oficina Brasil e proprietário da CobreioCar, Cláudio Cobeio, diversos clientes que têm veículos da marca Citroën equipados com a caixa AL4 (presente também no Xsara Picasso e demais modelos com motor 2-litros) reclamam de “vazio” quando fazem o “kick down” (pisam fundo no acelerador em busca de uma marcha reduzida), recurso muito utilizado em manobras evasivas.

Durante a semana em que testamos os carros, tanto o Ford quanto o Citroën apresentaram este ‘vazio’. De acordo com a Citroën, há uma atualização de programação do câmbio disponível nas concessionárias, que melhora a atuação do recurso.

Apesar disso, o ideal seria uma caixa com cinco ou seis velocidades, que aproveitasse melhor as curvas de torque e potência oferecida pelo propulsor. Porém, infelizmente as montadoras não divulgam se existem planos para o desenvolvimento ou aperfeiçoamento deste componente.

A tabela mostra um comparativo da relação de marchas adotado por Ford e Citroën nos veículos com caixa manual e automática. Mais longas na automática, a rotação do motor cai muito a cada troca, o que dá sensação de perda de força.

Além disso, o movimento mais frequente de redução quando se dirige com câmbio manual é de terceira para segunda. Na transmissão automática, isso ocorre da segunda para a primeira, porém na manual, a relação é bem mais curta que na automática.

Nem mesmo no modo esportivo, em que as marchas são trocadas com maior rotação do motor, o câmbio passa segurança para retomadas desse tipo. O Focus, a propósito, não dispõe de botão de modo esportivo. Ao invés disso, a Ford equipou o veículo com um programa que permite o motorista ajustar o tipo de condução (conforto, normal e esporte), por meio do computador de bordo. Porém, só é possível alterar a configuração com o veículo parado.

Suspensão

O conjunto de direção-suspensão-freios-rodas dos veículos é bastante similar. Ambos saem de fábrica com direção com assistência eletro-hidráulica progressiva, suspensão independente tipo McPherson na dianteira, freios a disco nas quatro rodas com ABS de série em todas as versões, e rodas de liga leve de 16 polegadas com pneus 205/55.

Na traseira, o C4 traz eixo com braços estendidos, travessa deformável, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Já o Focus apresenta suspensão independente tipo Multilink, com braço de controle e barra estabilizadora.

Eletrônica

Até o momento ambos veículos apresentam características muito similares e, no quesito eletrônica embarcada também não é muito diferente. As versões testadas eram bem equipadas: airbags, ABS com EBD e EPS, sensores crepuscular e de chuva, computador de bordo, piloto automático, Bluetooth, MP3 Player com entrada para iPod e USB, ar-condicionado digital dual zone, entre outros mimos.

Neste quesito, o Ford apresentou pontos fortes no computador de bordo, que mede o gasto de combustível do veículo parado, com o motor ligado, em litros/hora. É interessante ver o resultado de consumo do uso do ar-condicionado e da primeira marcha sempre engatada em situação de trânsito. É quase o dobro.O acionamento por chave de presença e botão no console e a luz cortesia instalada no retrovisor externo também agradaram, mas o sistema de abertura do capô com chave convencional ficou estranho. Senti falta do retrovisor interno eletrocromo, presente no C4, que era apimentado pelo Pack Tecnologique, que traz mimos como faróis de xenônio direcionais bi-função, banco do motorista com 4 estágios de regulagem elétrica (os do Focus possuem apenas ajuste de altura elétrico), sensor de obstáculos dianteiros e retrovisores externos rebatíveis eletricamente.

Além disso, o C4 se destaca pelo piloto automático com função de limitador de velocidade, e o perfumador de ambiente. Os dispositivos exclusivos do modelo, porém, necessitam de mais tempo para o motorista se acostumar. Refiro-me ao volante com cubo fixo e diversos botões que controlam o sistema de áudio, piloto automático, computador de bordo e até a reciclagem do ar, e o enorme mostrador digital ao centro do painel com informações de velocidade, nível de combustível, odômetro etc.

A idéia é inovadora, porém como tudo que apresenta essa característica, é precioso de tempo para se adaptar.

A bordo

Tanto o Ford Focus quanto o Citroën C4 testados eram os mais completos da categoria e, dessa forma, a vida a bordo foi bem confortável. Porém, ergonomicamente, o Ford agradou mais, apesar de a visibilidade à frente ser menor do que no C4. No entanto, em percursos mais longos, o Citroën causou certo incômodo lombar.

Em testes dinâmicos, ambos apresentaram bom desempenho, em aceleração, frenagem e tomada de curvas. Somente as retomadas eram sofríveis, por conta da transmissão. A eletrônica embarcada ajuda bastante na condução e a suspensão mostrou estar bem calibrada para o asfalto brasileiro. O C4 melhorou o desempenho em curvas em relação ao irmão maior, o C4 Pallas.

Qual levar?

Os dois veículos apresentam muita similaridade apesar de serem bem distintos esteticamente. O Focus perde terreno principalmente pela ausência da opção flexível na nova configuração, com motor 2-litros 16v. Provavelmente, quando a Ford adotar a tecnologia na versão GLX manual, as vendas voltarão a subir.

Outro fator que conta a favor do C4 é o caráter inovador, palavra que a Citroën quer registrar como característica da marca. A campanha publicitária foi muito acertada, mas é preciso avisar: o carro não vira robô.

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